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“Pantanal Norte: o que fazer, onde se hospedar e dicas”

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Sempre que me perguntam qual é o melhor lugar do Brasil para ver vida selvagem de perto, respondo sem nem titubear: o Pantanal. Já havia recebido essa dica e confesso que não tinha levado a sério, mas fui surpreendida assim que desembarquei lá. Em um único dia rodando pelo Pantanal Norte consegui avistar mais bichos do que em uma semana inteira na Amazônia.

Todo o turismo no Pantanal mato-grossense gira em torno da fauna e da flora. Ao todo, são mais de 4 mil espécies de animais e plantas. A programação é dirigir a poucos metros de um rio cheio de jacarés, passar horas e horas à procura de uma onça-pintada, avistar uma arara-azul-grande enquanto toma café da manhã…

Sem dúvidas, é um destino para quem quer desacelerar e se deixar levar pelo ritmo lento da região. E essa é a graça! Podemos fazer mil planos, montar um roteiro, traçar cada passo da viagem, mas, no fim das contas, é a natureza quem sempre decide o que vamos encontrar e fazer por lá.

O que conhecemos como Pantanal é uma enorme área alagada de mais de 150 mil km2, que se espalha pela região Centro-Oeste. No turismo, as agências e operadoras costumam “dividi-lo” em dois: o Norte (que fica no Mato Grosso) e o Sul (que fica no Mato Grosso do Sul).

Neste post, vou dar dicas e contar para você tudo o que precisa saber para planejar a sua viagem para o Pantanal Norte, um dos pedacinhos mais exuberantes e conhecidos do Mato Grosso.

E o melhor de tudo é que o Pantanal fica bem pertinho da capital, a menos de duas horas de carro de Cuiabá. Para quem estiver com bastante tempo, é possível até mesmo combinar Nobres e a Chapada dos Guimarães na mesma viagem.

CLIMA NO PANTANAL NORTE: QUANDO IR

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Foto: Getty Images

A paisagem que você vai encontrar no Pantanal mato-grossense depende muito da época do ano em que decide viajar para lá. Isso acontece porque o cenário da região varia muito de acordo com as chuvas.

De dezembro a março, acontecem as chuvas de verão e as planícies ficam todas alagadas. É quando tuiuiús e as garças costumam aparecer com mais frequência;

De abril a junho, as chuvas dão uma trégua e começam a se formar pequenos lagos e poças d’água. Não faz tanto calor e o céu costuma ficar mais estrelado;

De julho a outubro, os campos começam a secar e os mamíferos voltam a aparecer. Também é quando os ipês florescem;

De novembro a dezembro, chove bastante, mas não como no começo do ano. É a época mais comum de avistar filhotes de aves.

Para ver bicho e fazer uma viagem sem tanto perrengue, a melhor época para ir para o Pantanal Norte é entre julho e outubro, no período da seca. É também quando fica mais fácil de se deslocar por lá. Obviamente, os preços sobem e as pousadas ficam (ainda mais) cheias de gringos. Fui em junho e achei uma boa. Os campos já não estavam mais tão alagados, a estrada não tinha tantos atoleiros, conseguimos ver mais de uma centena (sim) de bichos e os preços ainda não eram os da alta temporada.

COMO CHEGAR E SE LOCOMOVER NO PANTANAL NORTE

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Foto: Getty Images

O ponto de partida para conhecer o Pantanal Norte é Cuiabá (MT). A capital mato-grossense recebe voos diretos a partir de várias cidades do Brasil e fica só a 100 km das planícies pantaneiras. Uma vez na cidade, basta pegar a MT-060 e seguir sentido sul até Poconé.

De Cuiabá até o centrinho de Poconé, são mais ou menos 1h30 de estrada. Depois, o caminho segue pela Transpantaneira, a estrada-símbolo da região.

Transpantaneira: o coração do Pantanal mato-grossense
Transpantaneira mato grosso - Pantanal Norte: o que fazer, onde se hospedar e dicas

Foto: Getty Images

A Transpantaneira é uma estrada de quase 150 km que liga Poconé a Porto Jofre, na divisa com o Mato Grosso do Sul. É ao longo dela que a parte mais turística do Pantanal Norte se movimenta. As pousadas, os campings e os hotéis ficam espalhadas por toda a sua extensão.

Só os primeiros quilômetros são asfaltados, não há iluminação e muito menos posto de combustível no caminho. Para não passar perrengue, abasteça o carro em Cuiabá e complete o tanque de novo na hora que chegar ao centrinho de Poconé (será a última oportunidade de fazer isso).

Ao pegar a Transpantaneira, você vai perceber que o sinal de telefone na estrada também não é dos melhores. Em vários momentos, não há conexão. Por isso, imprima ou faça download dos mapas da região com antecedência e ligue para a sua pousada para confirmar as coordenadas e pedir algum ponto de referência.

Como se deslocar no Pantanal Norte: transfer ou carro alugado?

As condições da Transpantaneira variam muito ao longo do ano. Quando os campos estão alagados, carros de passeio não conseguem andar por lá. Só dá pra se deslocar com 4×4 ou veículos maiores.

Se for alugar um carro, considere isso na hora de se planejar: a pista é estreita e você corre o risco de encontrar vários atoleiros e terreno irregular. Para dirigir com mais segurança, eu recomendaria ligar na pousada uns dias antes para saber como está a condição da estrada. Se estiver intransitável, você pelo menos ainda tem um tempo hábil para mudar de planos.

Se preferir contratar o serviço de transfer, algumas empresas levam direto de Cuiabá até o Pantanal. É só entrar em contato com as pousadas que elas sempre têm alguém de confiança para indicar. Pode até ser uma opção mais cara, mas funciona para quem fica inseguro em dirigir na Transpantaneira. Como não há muito o que fazer fora das pousadas, na maioria dos casos ter ou não um carro à disposição nem faz muita diferença.

QUANTO TEMPO FICAR NO PANTANAL NORTE

Na primeira vez em que fui ao Pantanal Norte, fiquei por lá por 3 dias/2 noites. No fim das contas, deu tempo de fazer o basicão e ver tudo o que eu queria, mas a programação teve de ser tão corrida que quase não consegui aproveitar de verdade. Ficou a lição: não dá para encaixar uma ida ao Pantanal em um fim de semana.

Para curtir com calma e cumprir todos os “obrigatórios” da lista, você precisa de pelo menos 5 dias. Mas tudo depende do seu orçamento e dos seus objetivos, é claro.

Dois dias é o tempo mínimo para fazer os passeios mais clássicos, tipo ver tuiuiu, focar jacaré e sair de barco para assistir ao sol nascer. Se quiser avistar onça-pintada precisa reservar um (1) dia só para isso. O tempo “perdido” com deslocamento também tem de entrar nessa conta. O caminho até as pousadas não é dos mais fáceis. Dependendo de onde elas estão localizadas na Transpantaneira, você pode levar mais de 5 horas de Cuiabá até lá (isso se a estrada colaborar). Ou seja, também separe um dia inteiro para chegar e mais outro para a volta.

Colocando na ponta do lápis, a logística é esta:

DIA 1 – Saída de Cuiabá e check-in na pousada

DIAS 2 E 3 – Passeios oferecidos pela pousada

DIA 4 – Passeio de barco para avistar onça-pintada no Porto Jofre

DIA 5 – Retorno a Cuiabá

Se for aproveitar para fazer uma esticadinha até a Chapada dos Guimarães ou Nobres depois, pode reservar pelo menos mais uma semana na agenda.

ONDE SE HOSPEDAR NO PANTANAL NORTE

Se pudesse dar um único conselho para quem vai para Pantanal mato-grossense, seria este: escolha muito bem a pousada em que vai se hospedar. É nela onde você vai ter praticamente todas as suas experiências da viagem, incluindo refeições e passeios. Por isso é tão importante analisar com calma as opções antes de bater o martelo.

Andando pelos quase 150 km da Transpantaneira dá para perceber que a região tem acomodação para todos os gostos e todos os bolsos. Existe desde acampamento roots até pousada que faz parte da associação Roteiros de Charme. Mesmo escolhendo as opções mais econômicas, vá sabendo que não é das viagens mais baratas. Na maioria dos casos, as diárias costumam incluir também todas as refeições e quase todos os passeios. Por isso mesmo, os preços normalmente são altos, principalmente entre julho e agosto, quando os gringos tomam conta do pedaço.

Vale lembrar que as pousadas ficam longe umas das outras e oferecem experiências diferentes. O que muita gente faz (e eu também fiz quando estive por lá) é dividir a estada entre mais de uma pousada e passar cada noite em um lugar. Vale a pena se você quiser conhecer as paisagens de outros trechos da Transpantaneira. Mas, se ficar saltando de hotel para hotel não é muito a sua vibe, você não perde muito ficando em um lugar só.

Essas foram as pousadas que eu conheci:

Pousada Piuval 

Fica bem no comecinho da Transpantaneira, a pouco mais de 100 km de Cuiabá. Os quartos são confortáveis e a estrutura é charmosa. De todas as que conheci, é a que tem a pegada mais sustentável, com aquecimento solar e sistema de reuso de água. O restaurante serve opções bem variadas e a piscina tem vista do rio.

A pousada está localizada no mesmo terreno da Bacia Piuval, uma das maiores da região. Os funcionários dizem que de vez em quando aparecem dezenas de vitórias-régias ali. Eu não tive a sorte de vê-las, mas em compensação encontrei o céu mais estrelado e lindo de toda a viagem. Enxergar a olho nu várias das estrelas e constelações mais famosas é coisa comum por lá.

Pousada Rio Claro

É uma das que têm o melhor custo-benefício. Os quartos são simples, mas cumprem o que prometem pelas fotos do site. Eles não têm televisão, por exemplo, mas são bem arrumadinhos e contam com frigobar e ar condicionado (fundamental para aliviar o calor pantaneiro, pode acreditar).

Um dos pontos fortes é o fato de que o Rio Claro, como o próprio nome da pousada sugere, corta os fundos da propriedade. É de lá que saem os barcos que levam os hóspedes para os passeios. Logo no meu primeiro dia no Pantanal, o barqueiro da pousada nos levou ver o pôr do sol. De brinde, ganhamos uma revoada de garças, avistamos carcarás, encontramos o Zico – o jacaré mascote da pousada – e vimos uma anta cruzando o rio (coisa rara de acontecer).

Hotel Pantanal Norte (Porto Jofre)

É o último hotel da Transpantaneira e o melhor lugar de toda a região para ver onça-pintada. O preço é para gringo (a grande maioria por lá) – a diária para um casal, sem nenhum passeio incluso, não sai por menos de R$1.055,00. A estrutura é confortável, mas está longe de justificar o preço do tarifário. Você paga mesmo é pelo privilégio de estar em um lugar onde o avistamento de onça é quase sempre garantido. O restaurante é ótimo e foi onde encontrei a maior variedade de pratos regionais.

O QUE FAZER NO PANTANAL NORTE

As atrações no Pantanal mato-grossense começam antes mesmo de chegar ao destino final. No caminho pela Transpantaneira, a natureza já começa a dar as caras e dá para avistar dezenas e dezenas de aves cruzando a estrada, além de jacarés parados bem pertinho da pista.

Os passeios em si costumam ser operados pelas próprias pousadas. E a maioria delas tem um “cardápio” de opções bem parecido. Os clássicos são trilhas pelos campos, passeios de barco para ver o nascer e pôr do sol, safáris fotográficos, focagem noturna de jacarés…

Já vou adiantando que, apesar de ser uma viagem tranquila e para contemplar a natureza, não dá para ter preguiça. O melhor momento para ver a bicharada toda é no comecinho da manhã, perto do amanhecer, ou no fim da tarde. São nesses horários que os passeios costumam acontecer. Para isso, é preciso acordar cedo quase todos os dias.

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Foto: Birger Strahl via Unsplash

Se quiser ver onça, vai precisar esticar um pouquinho a viagem e o orçamento. O melhor lugar para ver os felinos é no Porto Jofre, que fica no km 145. É de lá que zarpam os barcos que saem à procura das onças. É quase um teste de paciência e de contemplação. Você fica horas e horas navegando de um lado para o outro e torce para alguma dar o ar da graça. Eu mesma quase voltei para casa sem ver nada. Naveguei por mais de 5 horas e só consegui avistar um único casal escondido entre as folhagens, quase na hora de ir embora. Foi bem rapidinho, mas valeu todo o esforço.

Antes de decidir sua programação, pense bem se realmente quer investir tempo e dinheiro para procurar as onças-pintadas. O sacrifício compensa, mas a logística é cara e complicada, já que o Porto Jofre fica no fim da Transpantaneira. Fiz em esquema bate-volta e foi bastante cansativo. Se fizer realmente questão, a minha dica é se programar para passar pelo menos uma noite por lá. Além do Hotel Pantanal Norte, existem outras opções mais baratas na região (mas a diária do barco é paga à parte).

O QUE VESTIR NO PANTANAL

pantanal - Pantanal Norte: o que fazer, onde se hospedar e dicas

Decidir o que levar para o Pantanal mato-grossense é uma tarefa mais fácil do que parece. Aposte nas roupas frescas e leves, mas que cubram sua pele do sol e dos mosquitos. Mesmo no verão, separe pelo menos duas calças, duas camisetas de manga longa e uma jaqueta corta-vento para fazer os passeios. Os tecidos que secam rápido, tipo dry-fit, são a melhor opção. No inverno, a temperatura pode cair de uma hora para outra, por isso é bom levar na mala um ou dois casacos mais quentinhos e pijama comprido.

Os sapatos para caminhar devem ser fechados e confortáveis (eles podem sujar e molhar). Se tiver botas impermeáveis, daquelas para trekking, melhor ainda. Meias extras e uma sandália para a hora de descansar na pousada também são uma boa. Chapéu, óculos de sol, repelente e protetor solar não podem faltar de jeito nenhum.

ONDE COMER NO PANTANAL NORTE

Como comentei, o turismo no Pantanal Norte gira em torno da Transpantaneira e acontece dentro dos hotéis e pousadas. Na região de Poconé, todas as refeições costumam já estar incluídas no preço das diárias. Nem adianta procurar, porque não há restaurantes e nem mercados espalhados pela estrada. Mas não precisa se preocupar. A comida nas pousadas costuma ser farta, com temperinho bem caseiro e boas opções para quem tem algum tipo de restrição alimentar.

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