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“Descubra Nobres, um paraíso no Mato Grosso”

Se eu te falasse que existe um lugar no interior do Mato Grosso com águas tão ou até mais cristalinas que as do Caribe, você acreditaria? Anota aí: esse lugar é o distrito de Bom Jardim, em Nobres. Ainda que não esteja no radar da maioria dos viajantes, nos últimos anos o destino tem mostrado um potencial enorme para o ecoturismo. O que não falta por lá são paisagens incríveis e atividades para encher a programação. Mergulhar em cachoeiras, flutuar em rios azul-turquesa e arriscar o boia cross são só algumas das coisas que você pode incluir na lista do que fazer em Nobres. E ainda tem um bônus: dá para nadar em meio a dezenas e dezenas de peixinhos, assim como em Bonito (MS), só que gastando bem menos.

Parece bom demais para ser verdade, mas existe um porquê para tudo isso. As paisagens e os atrativos das duas cidades são bem parecidos, mas Bonito tem uma tradição de décadas e décadas no turismo e, por isso mesmo, dispõe de uma infraestrutura mais robusta e organizada. Nobres entrou para o “mapa do turismo” muito depois e ainda está caminhando para chegar a esse patamar. A cidade tem uma oferta hoteleira e gastronômica mais enxuta e com opções mais modestas, digamos assim, mas que atendem bem quem viaja para lá. A real é que isso traz todo um charme e uma pegada mais roots para o destino (que eu prefiro, aliás).

Além dos preços mais em conta, Nobres tem uma outra vantagem em relação a sua “concorrente”: as águas são mais quentes e você não precisa vestir uma roupa de neoprene toda vez que for mergulhar.

Neste post, vou dar dicas e contar para você tudo o que precisa saber para planejar a sua viagem para Nobres, antes que mais gente descubra e o turismo de massa chegue lá.

CLIMA EM NOBRES: QUANDO IR

Foto: Juliana Amorim via Unsplash

Nobres é destino para o ano inteiro. Como em quase todo o estado do Mato Grosso, as temperaturas costumam ser altas nas quatro estações. O que pode influenciar sua experiência por lá são as chuvas.

De novembro a março, a precipitação é maior e os rios e as cachoeiras ficam mais volumosos. Mas pode ser que, por conta disso, as águas estejam menos cristalinas e que a quantidade de peixes avistados nas flutuações diminua;
De abril a outubro é a época da seca, quando é mais “garantido” que você encontre os rios com a água azul-turquesa, como nas fotos.

Se puder, evite períodos de férias e feriados. O número de turistas aumenta e alguns atrativos têm limite de capacidade diária. Se não fizer as reservas com antecedência, corre o risco de ficar sem alguns dos passeios.

COMO CHEGAR E SE LOCOMOVER EM NOBRES

O aeroporto mais próximo a Nobres é o de Cuiabá (MT). É lá onde começa a viagem e você pega a rodovia BR-251, sentido Chapada dos Guimarães. Depois, segue pela MT-351 e pela MT-241. Ao todo, são mais ou menos 150 km em 2 horas de viagem.

Parece loucura, mas quando você pegar a estrada NÃO siga as placas sentido Nobres. É que tem uma pegadinha nessa história: apesar de todas as agências de turismo venderem o destino como Nobres, a grande maioria dos atrativos e da estrutura turística fica no distrito de Bom Jardim, bem distante do centrinho da cidade (coisa de mais de 60 km). Ou seja, se não prestar atenção, corre o risco de parar no lugar errado. Por isso, coloque Bom Jardim como destino no GPS.

Também existe a opção de contratar com as agências um transfer que te leve direto a Bom Jardim. Na época em estive por lá, fiquei sabendo que existe uma linha de ônibus operada pela GM Tur que leva da Rodoviária de Cuiabá até Bom Jardim, mas os horários das saídas eram bastante limitados.

O melhor jeito de circular em Nobres/Bom Jardim é de carro (próprio ou alugado). Não há transporte público que leve até os principais atrativos. O jeito é dirigir ou contratar traslados com as agências (o que, na minha opinião, vai limitar sua experiência no destino). Uma dica importante: se for circular por conta própria, peça referências sobre os caminhos, imprima mapas e saia da pousada munido de informação. Existe sinalização sobre a maioria dos atrativos turísticos, mas o sinal de telefone por lá não é dos melhores e você corre o risco de se perder e ficar na mão.

QUANTO TEMPO FICAR EM NOBRES

Algumas agências e operadoras de turismo oferecem passeios para Nobres em esquema bate-volta a partir de Cuiabá. Se pensarmos que Nobres só está a duas horas (145 km) de distância da capital, não é nenhuma loucura topar um programa como esse. Você sai cedinho, pega a estrada, conhece algumas das principais atrações e no começo da noite já está de volta. Funciona bem para quem tem pouco tempo na região ou não quer pernoitar em Nobres, já que a estrutura hoteleira por lá é modesta. Nesta opção, normalmente dá tempo de conhecer pelo menos dois pontos de flutuação.

Se quiser fazer os passeios com mais calma e conhecer outras atrações (que, na minha opinião, são tão ou até mais interessantes que as flutuações), eu recomendaria ficar pelo menos duas noites em Bom Jardim. É tempo suficiente para fazer um apanhado geral de tudo o que a região tem oferecer. Para quem viaja com crianças ou prefere uma programação com ritmo mais lento, talvez seja interessante incluir uma noite a mais nessa conta. Mas é preciso pensar bem: a infraestrutura da cidade é simples e, se essa pegada mais roots não faz muito o seu estilo, exagerar na quantidade de diárias talvez não seja uma boa.

Nobres é linda, tem atrações para todos os gostos e, sem dúvidas, vale a visita. Mas a viagem fica mais proveitosa com uma esticadinha até a Chapada dos Guimarães, que está a mais ou menos 160 km de distância. Aí é preciso reservar pelo menos mais três noites na agenda. 

ONDE SE HOSPEDAR EM NOBRES

Como já comentei, não vá para Nobres com a expectativa de encontrar acomodações super luxuosas e cheias de infraestrutura. A maioria das pousadas e hotéis é (bem) simples, mas oferece tudo o que é necessário para uma estada minimamente confortável. A dica é fazer sua escolha com base na localização. Ficar em Bom Jardim costuma ser sempre a melhor opção. Também existem acomodações em outros distritos ou até no centrinho de Nobres, mas vale lembrar que ficam bem longe da maioria dos atrativos. Pela experiência que eu tive por lá, não acredito que valha a pena o desgaste com o deslocamento.

Ah, um ponto importante: por ser uma vila rural, Bom Jardim sofre com quedas de energia repentinas, principalmente na época de chuvas. Antes de fazer a reserva, é bom checar se a hospedagem tem gerador de energia para casos de emergência.

Pousada Bom Jardim 

Os quartos não têm grandes luxos, mas cumprem o que prometem no site. São equipados com frigobar e ar condicionado. O café da manhã é bem servido e há uma piscina na área de lazer. Além da boa localização, o ponto positivo é que os donos da pousada também têm uma agência de turismo, que fica no mesmo terreno. Acredite: facilita bastante na hora de reservar os passeios e montar a programação.

O sinal de telefone em Bom Jardim também não é dos melhores e em alguns pontos do distrito é comum ficar sem comunicação. Quando estive por lá, a VIVO era a única operadora que funcionava dentro da pousada. Os hóspedes também podem usar o Wi-fi, mas o sinal não é muito bom fora das áreas comuns.

Pousada Rota das Águas 

Fica relativamente perto dos principais pontos turísticos. As acomodações são amplas, bem equipadas e seguem um estilo mais rústico. Tudo é bem limpinho e organizado. A pousada também têm uma agência de turismo com o mesmo nome. É possível fechar pacotes que já incluem diárias e passeios. O sinal de celular por lá também é precário, mas o wi-fi quebra o galho.

Malai Manso Resort 

Se não quiser abrir mão de jeito nenhum de uma estrutura hoteleira mais completa, o Malai Manso pode ser uma opção. Funciona no mesmo esquema dos maiores resorts do Brasil: todas as refeições já estão incluídas, tem serviço de recreação para as crianças, campo de golfe, piscinas enormes na área de lazer… Mas é importante lembrar que ele NÃO fica em Nobres. O resort está localizado no meio do caminho entre Cuiabá e Bom Jardim. São mais ou menos 60 km de distância até os principais atrativos. Você perde tempo de deslocamento na estrada e desembolsa um pouco mais nas diárias, mas ganha (e muito) em conforto e facilidades.

O QUE FAZER EM NOBRES

A grande maioria dos atrativos fica em propriedades particulares. Antes de começar a planejar o que fazer em Nobres, saiba que não tem jeito: você vai precisar fechar praticamente todos os passeios com as agências de turismo locais. São elas que emitem os vouchers de entrada para a maioria dos atrativos. Sem eles, você não consegue fazer os passeios. Foi a maneira que a Prefeitura encontrou de controlar o número de turistas que visitam a região e diminuir os danos ao ecossistema. Para quem já conhece Bonito (MS), o esquema é bem parecido ao que existe por lá.

Flutuação no Rio Salobra

Ir para Nobres e não fazer flutuação é como ir ao Rio de Janeiro e não conhecer o Cristo Redentor. É daqueles passeios que estão na lista de “obrigatórios”. No Rio Salobra, em Bom Jardim, estão dois dos principais pontos de flutuação da região: o Aquário Encantado e o Reino Encantado (cuidado para não confundir, são dois lugares diferentes e que ficam a cerca de 5 km de distância um do outro).

No geral, a experiência com as duas flutuações é bastante parecida. Os turistas vestem os coletes salva-vidas, calçam as sapatilhas de mergulho e seguem por uma pequena trilha até alcançar a margem. Antes de começar a descida pelo rio, há um momento de “treinamento”, já na água. No Reino Encantado, ele acontece numa área cheia de ressurgências, em que dá para ver as bolhas “brotando” do chão. No Aquário Encantado, isso é feito num poço de água azul cristalina, cheio de peixinhos.

Com todos do grupo devidamente treinados, chega a hora de começar a flutuação de fato. Ao todo, o passeio costuma durar cerca de duas horas. São mais ou menos 900 metros de percurso dentro d’água, nadando entre peixes de todas as cores e tamanhos. O ritmo é lento, para curtir sem pressa.
É importante saber que não é permitido usar filtro solar e nem tocar os pés no chão durante o passeio. Esse é o segredo para que a água fique sempre tão transparente como nas fotos. Uma dica: perto da hora do almoço, a incidência do sol é mais direta e a água que já é de um azul inacreditável fica ainda mais bonita.

Cachoeira Serra Azul

Fica no município vizinho (Rosário Oeste), a mais ou menos 25 km de Bom Jardim, na propriedade do Sesc Serra Azul. Para passar pela portaria, você precisa apresentar voucher e estar acompanhado de um guia.

Chegando lá, existe uma estrutura com banheiro, onde dá para se trocar e retirar o material para a flutuação. Depois, é respirar fundo e pegar fôlego para encarar a escadaria de mais de 400 degraus que leva até o poço da cachoeira. Mas garanto que o esforço vale a pena. O visual é lindo e você consegue nadar ao lado de vários peixinhos. Muita gente se empolga com as fotos e com o azul-esverdeado da água e esquece que os grupos têm um tempo limitado para ficar por lá. Quando chega a hora de ir embora, percebem que mal conseguiram dar um mergulho.

Para quem tiver coragem e não quiser encarar a escadaria na volta, existe a opção de descer de tirolesa. São 700 metros de descida, partindo de uma base a 50 metros de altura.

Boia cross no Duto do Quebó

Esse é para quem quer adicionar um pouquinho de adrenalina na viagem. Diferente do que muita gente pensa, o Duto do Quebó não fica em Bom Jardim. Ele está localizado em outro distrito de Nobres (Vila Roda D’Água), a mais ou menos 30 km de distância. Precisa pegar um trecho em estrada de terra para chegar até lá.

A estrutura de recepção aos turistas ainda deixa a desejar, mas o passeio é divertido. Depois de vestir os coletes e subir nas boias, é só (literalmente) se deixar levar. No caminho, observamos a mata ciliar e passamos por uma caverna totalmente escura e cheia de morcegos.

Apesar de as agências venderem como um “passeio de aventura”, é um programa relativamente tranquilo. O córrego tem menos de 1 m de profundidade e a correnteza não muito é forte (mas isso depende da época de chuvas). Mesmo crianças ou pessoas que não sabem nadar conseguem encarar.

Lagoa das Araras

Na minha opinião, é o melhor lugar em Nobres para assistir ao pôr do sol. A lagoa é, na verdade, uma região alagada cheia de buritis. Com o tempo, as árvores perdem as copas e ficam com os troncos ocos. Os pássaros aproveitam essa situação para fazer seus ninhos ali. No fim da tarde, é quando você consegue avistá-los com mais facilidade.

Não dá para chegar muito perto das árvores, mas é só o sol começar a baixar para aos poucos ouvir as araras chegando. Para pegar fotos de pertinho, precisa de equipamento fotográfico adequado. Por isso mesmo, minha dica é desencanar de ficar registrando tudo. Aproveita para curtir o momento (em silêncio, de preferência, para não afastar as araras). Também é necessário apresentar voucher na entrada.

ONDE COMER EM NOBRES

A oferta gastronômica de Nobres ainda é modesta. É bem comum que, durante o dia, os turistas façam as refeições nos restaurantes que ficam dentro dos próprios atrativos turísticos. O Aquário Encantado e o Sesc Serra Azul, por exemplo, oferecem essa opção.

Obviamente também existem outros restaurantes na cidade, mas não são muitos. A grande maioria serve comida caseira, sem grandes firulas. Dica de amiga: antes de sair do hotel, confirma se o restaurante que você procura realmente está recebendo clientes. Como nem sempre a demanda alta, não são todos os restaurantes em Nobres que funcionam de domingo a domingo. Alguns você precisa reservar antes, outros só abrem para o jantar… Para não correr o risco de dar com a cara na porta, é bom checar e se planejar. A equipe das pousadas normalmente sabe informar quais estarão abertos ou não no dia.

Rancho do Chapolin

O restaurante é tão famoso entre os turistas que é quase uma atração em Bom Jardim. Serve comida caseira em um ambiente rústico e num clima bem informal. As mesas são compartilhadas e cada cliente vai até o fogão à lenha se servir direto da panela. O peixe assado na folha de bananeira e a farofa de banana são deliciosos.

Tudo funciona na base da confiança: o preço é cobrado por pessoa e são os próprios clientes que levantam, pagam a conta e pegam o troco numa caixinha. A proposta é tão original que você nem estranha quando o dono do restaurante entra vestido com uma fantasia do Chapolin para comandar o fogão.

Mirante do Cerrado 

Serve aperitivos e almoço, com algumas opções de receitas regionais. Também tem uma boa estrutura de lazer, especialmente para quem vai com crianças. O complexo tem tirolesa, piscina e arvorismo. Fica a 13 km de Bom Jardim.

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