Siem Reap é muito mais do que a porta de entrada para o Angkor Wat. Embora o maior templo religioso do mundo seja o grande destaque, a cidade reúne atrações e experiências que vão muito além dos templos do Angkor Archaeological Park.
Organizar um roteiro estratégico é fundamental, especialmente porque só o complexo de Angkor tem dimensões comparáveis às de uma cidade como Curitiba. As distâncias entre os templos, o calor intenso e a necessidade de definir bem a logística tornam o planejamento parte essencial da experiência.
Neste guia, você vai descobrir o que fazer em Siem Reap e como organizar sua viagem do início ao fim: desde os roteiros pelos principais templos de Angkor até as melhores formas de chegar e se locomover pelo complexo, tipos de ingressos e onde comprar. Também reuni dicas de onde ficar e sugestões de experiências na cidade para ir além dos templos.
- UM POUCO SOBRE SIEM REAP E O FAMOSO ANGKOR WAT
- COMO CHEGAR EM SIEM REAP
- COMO SE LOCOMOVER EM SIEM REAP
- MELHOR ÉPOCA PARA VISITAR SIEM REAP
- ONDE FICAR EM SIEM REAP
- QUANTOS DIAS FICAR EM SIEM REAP
- O QUE FAZER NO ANGKOR WAT (E TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DA VISITA)
- O QUE FAZER EM SIEM REAP (ALÉM DOS TEMPLOS DE ANGKOR WAT): MELHORES ATRAÇÕES E EXPERIÊNCIAS
- Museu Nacional de Angkor
- APOPO
- Wat Thmey (Killing Fields de Siem Reap)
- Wat Preah Prom Rath, Wat Damnak e Wat Bo
- Pub Street
- Mercados de Siem Reap
- Old Market Bridge e Old French Quarter
- Jantar com Dança Apsara
- Phare, The Cambodian Circus
- Aula de culinária Khmer
- Kompong Phluk Floating Village
- Lotus Farm
- Angkor Zipline
- Passeios de bate-volta a partir de Siem Reap
- O QUE COMER EM SIEM REAP
- BAIXE O MAPA DAS ATRAÇÕES!
UM POUCO SOBRE SIEM REAP E O FAMOSO ANGKOR WAT
Localizado no Sudeste Asiático e parte da antiga Indochina, o Camboja faz fronteira com a Tailândia, Vietnã e Laos. Com pouco mais de 15 milhões de habitantes, o país possui dimensões semelhantes às do estado do Paraná e é banhado pelo Golfo da Tailândia, onde se espalham cerca de 60 ilhas (muitas delas com cenários dignos de cartão-postal).
O passado cambojano é marcado pela dor. O brutal regime Khmer Rouge (1975–1979) dizimou cerca de um quarto da população, e os impactos da Guerra do Vietnã são vistos até hoje, seja nas cicatrizes sociais ou na presença de minas terrestres em algumas regiões.
Apesar desse histórico pesado, o Camboja demonstra uma impressionante capacidade de resiliência e vem se reerguendo. A forma como o país se abriu ao turismo nas últimas décadas e o transformou em um dos seus principais ativos econômicos é uma prova disso.
E é nesse contexto que surge Siem Reap. Segunda maior cidade do Camboja, atrás apenas da capital Phnom Penh, ela é considerada a capital cultural e principal porta de entrada para quem deseja descobrir o melhor do país.
É justamente ali que está o impressionante Angkor Archaeological Park, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1992. Antigo centro do poderoso Império Khmer, o complexo permaneceu por séculos parcialmente encoberto pela selva até ser redescoberto, revelando ao mundo alguns dos templos mais fascinantes já construídos.
Entre eles, destacam-se o icônico Angkor Wat, o maior templo religioso do planeta, o enigmático Bayon, conhecido por suas torres com rostos esculpidos, e o fascinante Ta Prohm, onde as raízes de árvores gigantes criam um cenário quase cinematográfico.
COMO CHEGAR EM SIEM REAP

Foto: Getty Images
A principal porta de entrada para a cidade é o Aeroporto Internacional de Siem Reap Angkor (SAI), localizado a cerca de 50 km do centro.
Para chegar até o seu hotel, há algumas opções. As mais práticas são os carros de aplicativo e táxis, com tarifas em torno de US$ 35 por trajeto. Outra alternativa é o ônibus oficial do aeroporto, que faz o percurso até o centro por US$ 8 por pessoa. Mas, se a ideia for equilibrar conforto e preço, vale considerar os transfers compartilhados, que buscam no aeroporto e deixam na porta do hotel, com preços a partir de US$ 10 por pessoa.
Saindo do Brasil, não há voos diretos, e as conexões costumam acontecer em grandes hubs asiáticos, como Bangkok, Kuala Lumpur e Singapura, ou ainda via Phnom Penh, a capital do Camboja.
Já para quem está viajando pelo Sudeste Asiático, o acesso terrestre é bastante comum e eficiente. Há ônibus e vans conectando Siem Reap a diversos destinos da região. Do sul do Laos, como a cidade de Don Det, por exemplo, existem rotas diretas que levam cerca de 9 horas e custam em torno de US$ 36.
Outra alternativa popular são os ônibus que partem de Bangkok, na Tailândia, com tarifas entre US$ 25 e US$ 40, dependendo da empresa e do nível de conforto. O trajeto pode durar até 10 horas.
Dentro do próprio Camboja, o transporte entre cidades também funciona bem. A Vireak Buntham Express (VET) é uma das principais operadoras de ônibus no país. Para quem busca mais conforto e rapidez, há ainda opções premium, como o serviço Air Bus da própria empresa.
De modo geral, o transporte terrestre no Camboja surpreende positivamente: além de acessível, costuma oferecer um bom nível de conforto, especialmente nas rotas mais turísticas.
COMO SE LOCOMOVER EM SIEM REAP

Foto: Christian Holzinger via Unsplash
Em Siem Reap, assim como nas principais cidades do Camboja, os aplicativos de transporte serão seus grandes aliados para se locomover com praticidade e evitar dores de cabeça.
Os mais utilizados são o Grab (que aceita cartões internacionais) e o PassApp, um aplicativo local que costuma oferecer tarifas mais baixas, embora funcione apenas com pagamento em dinheiro (dólar ou riel cambojano). Ambos disponibilizam diferentes opções de transporte, como carro, tuk-tuk e mototáxi.
Sempre que possível, evite pegar corridas por fora dos apps. Além de, muitas vezes, saírem mais caras, alguns motoristas podem fazer trajetos mais longos do que o necessário.
Ainda assim, em áreas onde os aplicativos não funcionam (o que acontece geralmente em cidades menores), a negociação é inevitável. Nesse caso, combine o valor antes de iniciar o trajeto e tenha sempre dinheiro trocado em mãos.
Outro cuidado importante é realizar o pagamento apenas após retirar toda a sua bagagem do veículo. Problemas são raros, mas essa simples atitude ajuda a evitar qualquer situação desconfortável.
Aluguel de scooters e e-bikes em Siem Reap
Para quem prefere mais liberdade, alugar uma scooter ou uma e-bike é uma excelente alternativa para explorar a cidade no seu próprio ritmo. Para isso, recomendo a Blu E-bike Service, na região do Angkor Night Market, no centro.
No entanto, saiba que para conduzir scooters no Camboja, é necessário ter a Permissão Internacional para Dirigir (PID) junto com a CNH original. Sem esse documento, além do risco de multas, o seguro viagem pode não oferecer cobertura em caso de acidente. Confira o nosso guia de como solicitar a Permissão Internacional para Dirigir caso ainda não tenha o documento.
Por fim, antes de sair com o veículo alugado, vale a pena tirar fotos e gravar vídeos detalhados. Assim, você evita problemas na devolução e garante uma experiência mais tranquila.
MELHOR ÉPOCA PARA VISITAR SIEM REAP

Foto: allPhoto Bangkok via Unsplash
A melhor época para viajar é sempre quando você pode, mas escolher o período certo torna tudo mais fácil.
De modo geral, a estação seca, que vai de novembro a abril, é a melhor época para visitar Siem Reap. Nesse período, os dias são mais estáveis, com pouca chuva e temperaturas que variam entre 20°C e 30°C, ideais para explorar os templos de Angkor. Mas prepare-se para encontrá-los mais cheios.
Se você quer distância da chuva, evite a temporada de monções, que acontece entre maio e outubro. Nessa época, a umidade é alta, o calor é intenso e podem ocorrer ventos fortes e inundações, especialmente em outubro.
Por outro lado, se você não se importa com o clima instável, essa é a temporada em que as paisagens ficam exuberantes, bem verdinhas, e o fluxo de turistas é menor.
ONDE FICAR EM SIEM REAP

Foto: Getty Images
Na hora de decidir onde ficar em Siem Reap, três regiões se destacam pela localização e estrutura: a animada área da Pub Street e Old Market, o entorno mais tranquilo entre Wat Bo e Wat Damnak e a região próxima ao Angkor Wat, ideal para quem quer focar nos templos.
A seguir, explico melhor as características de cada uma delas para ajudar na sua escolha.
Pub Street e Old Market
Ficar na região da Pub Street é uma das escolhas mais práticas para quem busca onde ficar em Siem Reap. Localizada no coração da cidade, ao lado do Old Market e a poucos minutos de caminhada do rio, essa é a área mais turística e movimentada do destino.
Por ali, você terá fácil acesso a tudo: restaurantes, bares, lojinhas, agências de passeio, ATMs, casas de câmbio e diversos serviços úteis no dia a dia.
Dali, também é fácil organizar passeios para os templos de Angkor, contratar tuk-tuk, reservar transfers ou resolver pequenas demandas práticas da viagem sem precisar se deslocar.
A dinâmica da região gira em torno da própria Pub Street, do Old Market e das ruas ao redor. Durante o dia, o clima é mais tranquilo, com cafés charmosos, spas e restaurantes funcionando em ritmo mais calmo. Já à noite, o cenário muda completamente: as ruas fecham para carros, as luzes neon tomam conta e a área ganha um ar animado e barulhento, com música ao vivo, bares cheios e bastante movimento.
Em relação à hospedagem, há opções para todos os perfis, desde hostels e pousadas econômicas até hotéis boutique e cinco estrelas.
Ainda assim, aqui vai uma dica importante: se quiser equilibrar localização e silêncio, priorize ruas um pouco afastadas da Pub Street, como as próximas ao Old Market ou em direção ao rio. Hotéis muito próximos da rua principal tendem a sofrer mais com o barulho, especialmente nos andares mais baixos.
Abaixo, reunimos uma seleção de hotéis bem localizados para ficar na região da Pub Street e Old Market, em Siem Reap:
Econômico
Bom custo-benefício
Conforto
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Região entre Wat Bo e Wat Damnak
Para quem prefere um ambiente mais tranquilo, mas sem abrir mão da boa localização, a região entre Wat Bo e Wat Damnak é uma excelente alternativa para ficar em Siem Reap.
Situada do outro lado do rio em relação à Pub Street e ao Old Market, essa área tem um ritmo mais calmo, menos barulho e uma atmosfera um pouco mais local.
As ruas são mais silenciosas e o cenário mistura residências, pequenos comércios, cafés e hotéis de menor porte. Ainda assim, a localização continua sendo bastante prática, já que em poucos minutos de caminhada você chega ao centrinho turístico, com fácil acesso a restaurantes, agências e serviços.
De forma geral, o entorno do Wat Damnak concentra boas opções gastronômicas e hotéis boutique cheios de charme, enquanto a área próxima ao Wat Bo tende a ser um pouco mais residencial e ainda mais sossegada.
Confira abaixo nossas sugestões de hotéis para ficar nessa região de Siem Reap:
Econômico
Bom custo-benefício
Conforto
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Próximo ao Angkor Wat
Finalmente, se a sua prioridade é explorar os templos com calma ou se hospedar em um hotel mais completo, estilo resort, ficar próximo ao Angkor Wat pode ser a melhor escolha.
A região ao longo da Charles de Gaulle Road, que conecta Siem Reap ao complexo de Angkor, concentra alguns dos hotéis mais confortáveis da cidade e funciona como uma base estratégica para quem quer focar nas visitas ao parque arqueológico.
Diferentemente da área da Pub Street, o ambiente por aqui é bem mais tranquilo, com construções espaçadas, áreas verdes e pouco movimento urbano. A vida noturna praticamente não existe, o que reforça a proposta de uma estadia mais relaxante.
Justamente por isso, a estrutura costuma estar concentrada dentro dos próprios hotéis. Muitos oferecem restaurantes, piscinas, spa e até serviços de transfer ou tuk-tuk tanto para os templos quanto para o centro.
Fora dos hotéis, no entanto, as opções de restaurantes e comércio são mais limitadas. Na prática, isso significa que você dependerá mais de deslocamentos caso queira sair para jantar ou aproveitar a noite na cidade.
A seguir, veja nossa seleção de hotéis para ficar próximo ao Angkor Wat e aos demais templos do complexo:
Econômico
Bom custo-benefício
Conforto
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QUANTOS DIAS FICAR EM SIEM REAP

Floresta onde os templos do Angkor Archaeological Park estão espalhados | Foto: Getty Images
Antes de definir quantos dias ficar em Siem Reap, é importante entender o principal motivo que leva a maioria dos viajantes até o destino: o impressionante Angkor Archaeological Park.
O complexo reúne dezenas de templos espalhados por uma área gigantesca (são mais de 400 km²!) e inclui desde ícones como Angkor Wat, Bayon e Ta Prohm até ruínas menores e menos visitadas, escondidas entre florestas e estradas secundárias.
Para explorar a região, você terá que adquirir um passe oficial de 1, 3 ou 7 dias (falarei mais sobre isso adiante), e essa escolha influencia diretamente o tempo ideal da sua viagem.
Na prática, a duração da estadia vai depender do seu ritmo, do seu interesse pelos templos e da disposição para encarar dias intensos de exploração.
Ficar de 1 a 2 dias em Siem Reap atende bem quem tem pouco tempo e quer focar apenas nos templos mais famosos, utilizando o ingresso de 1 dia.
Apesar disso, uma estadia de 3 a 4 dias oferece o melhor equilíbrio. Com esse tempo, você consegue explorar o complexo sem se esgotar usando o passe de 3 dias, além de aproveitar melhor as demais atrações de Siem Reap.
Agora, se você é aficionado por arqueologia ou quer explorar templos remotos, com menos pressa e maior profundidade, vale dedicar uma semana ou mais ao roteiro. Nesse caso, o passe de 7 dias fará sentido.
O QUE FAZER NO ANGKOR WAT (E TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DA VISITA)
Quase do tamanho da cidade de Curitiba, este Patrimônio Mundial da UNESCO abriga mais de 90 templos catalogados. Na prática, a maioria dos viajantes visita entre 15 e 25 deles, dependendo do tempo disponível.
Para organizar melhor o roteiro, é comum dividir o complexo entre Circuito Pequeno e Circuito Grande.
Mas, antes de escolher por onde começar, é essencial entender como o parque funciona: como chegar, como se locomover entre os templos, quais são os tipos de ingressos e o que esperar da visita.
A seguir, explico tudo o que você precisa saber para aproveitar ao máximo essa experiência.
Como chegar e se locomover no Angkor Archaeological Park

Foto: Norbert Braun via Unsplash
A primeira coisa que você deve saber ao visitar o Angkor Archaeological Park é que ele funciona praticamente como uma “cidade de templos”. Estamos falando de quase cem construções espalhadas por uma área enorme, distantes umas das outras, o que torna o planejamento do deslocamento parte fundamental da experiência.
A entrada principal do parque fica a cerca de 6 km do centro de Siem Reap, enquanto o Angkor Wat, o templo mais famoso, está a 8 km.
Para chegar do Angkor Wat até o Ta Prohm, por exemplo, serão mais 8 km. Já outros templos podem estar a 20 km ou até 30 km de distância entre si.
Por isso, esqueça a ideia de explorar tudo a pé. Além das distâncias, o calor úmido e a poeira das estradas tornam essa opção inviável.
A estratégia aqui é escolher o meio de transporte que melhor combina com o seu estilo de viagem:
Tuk-tuk
Contratar um tuk-tuk é a opção mais popular entre os visitantes, além de oferecer um excelente custo-benefício. Por cerca de US$ 15 a US$ 25 por dia (para até 4 pessoas), você contrata um motorista que te acompanha durante todo o roteiro.
Você combina o itinerário e ele te leva de templo em templo, sempre aguardando na saída. É fácil encontrar motoristas pela cidade oferecendo o serviço, mas também dá para reservar com antecedência em plataformas como a Get Your Guide.
E-bikes (bicicletas elétricas)
Pedalar sua própria e-bike também é uma alternativa comum e é ideal para quem busca mais autonomia durante o passeio. Para quem gosta de pedalar (e não se importa com o calorão), as magrelas permitem acessar caminhos mais estreitos e chegar mais perto das entradas dos templos.
Se essa for a sua escolha, não esqueça de sair com a bateria carregada para não correr o risco de ficar na mão. Vale saber também que scooters a gasolina são proibidas para turistas estrangeiros dentro da área de Angkor.
Carro privativo
Finalmente, apesar de não ser uma escolha habitual, contratar um carro privado com motorista pode valer a pena para grupos maiores ou para quem prefere mais conforto diante do calor intenso.
O custo costuma variar entre US$ 40 e US$ 50 por dia, já com motorista, e o serviço pode ser contratado em agências locais ou em alguns hotéis.
Vale a pena contratar um guia?

Foto: Simone Dinoia via Unsplash
Não espere encontrar plaquinhas explicativas ou informações detalhadas nos templos de Angkor. Na maioria das vezes, você estará diante de ruínas impressionantes, mas sem muito contexto sobre o que exatamente está vendo.
Por isso, vale a pena se preparar minimamente para entender a grandiosidade histórica e simbólica do lugar.
Uma ótima forma de fazer isso é visitar o Angkor National Museum no dia anterior. O museu apresenta a história do Império Khmer de forma didática e ajuda a dar mais significado a cada templo visitado.
Outra alternativa é contratar um guia, o que pode transformar completamente a experiência. Existem opções que incluem transporte e são realizadas em grupos pequenos (de até 6 pessoas), como este tour, com valores a partir de US$ 20 por pessoa.
Ingressos para o Angkor Archaeological Park (Angkor Pass)

Foto: allPhoto Bangkok via Unsplash
Para visitar os templos de Angkor, você precisará do Angkor Pass, o ingresso oficial que dá acesso ao Parque Arqueológico. Ele é obrigatório para entrar nos templos e deve ser apresentado sempre que solicitado ao longo das visitas.
A escolha do tipo de ingresso depende muito do seu ritmo de viagem. Se a ideia for conhecer apenas os principais templos em um roteiro mais enxuto, o passe de 1 dia pode ser suficiente.
Por outro lado, quem deseja explorar com mais calma, incluir templos mais afastados e até intercalar os passeios com momentos de descanso vai aproveitar melhor as opções de múltiplos dias.
A seguir, explico os três tipos de ingressos disponíveis para entrar no Angkor Archaeological Park:
- 1 dia (US$37): ideal para quem pretende focar nos templos principais em um único dia de visita. Dica: se comprar após as 16h45, você pode assistir ao pôr do sol no mesmo dia e ainda utilizar o ingresso normalmente no dia seguinte;
- 3 dias (US$62): o favorito dos visitantes. Ele é válido por 7 dias a partir da emissão, o que significa que você pode usar os 3 dias de entrada de forma intercalada dentro desse período.
- 7 dias (US$72): perfeito para entusiastas de arqueologia, vale por 30 dias, permitindo explorar cada detalhe do complexo e templos remotos com calma total.
O parque funciona diariamente das 7h30 às 18h30. Apenas o templo Angkor Wat abre mais cedo, às 5h, para o famoso nascer do sol. O ingresso pode ser comprado no site oficial ou diretamente na bilheteria em Siem Reap.
Dicas de sobrevivência para visitar os templos de Angkor

Foto: Pexels
Visitar Angkor é uma maratona física e cultural e você precisa estar atento a alguns pontos para aproveitar a experiência da melhor forma:
- Código de vestimenta: ombros e joelhos devem estar cobertos. Isso porque o local é considerado um templo religioso sagrado. Ainda assim, foque em roupas leves, de algodão ou linho, para ajudar com o calor;
- Kit básico: protetor solar, boné, lanchinhos, muita água e calçados confortáveis são essenciais;
- Documentação: mantenha seu ingresso (físico ou digital) sempre à mão, pois há pontos de checagem constantes;
- Dinheiro em espécie: você precisará para pequenas despesas dentro do parque, como água, água de coco ou comida em restaurantes locais.
Roteiros sugeridos para explorar o Angkor Archaeological Park
Diante da imensidão do Angkor Archaeological Park, definir um roteiro claro faz toda a diferença para aproveitar melhor a visita. Com dezenas de templos espalhados por uma área extensa, tentar ver tudo sem planejamento pode ser cansativo e pouco produtivo.
Para facilitar, os templos costumam ser organizados em circuitos que ajudam a otimizar os deslocamentos e o tempo de visita.
A seguir, você confere sugestões de roteiros que se adaptam ao número de dias do seu Angkor Pass:
Circuito Pequeno (Angkor Small Circuit): 1 ou 2 dias

Ta Prohm | Foto: James Wheeler via Unsplash
O Angkor Small Circuit é o roteiro clássico para quem tem pouco tempo em Siem Reap e pode ser feito em 1 dia inteiro de passeio. Quem tem mais tempo disponível, pode considerar dividi-lo em 2 dias para explorar com mais calma e evitar o desgaste do calor.
1. Angkor Wat para o nascer do sol
O Angkor Wat, com mais de 900 anos, é o coração do Camboja – não por acaso, está estampado na bandeira nacional. Comece o dia aqui para assistir ao nascer do sol, entre 5h30 e 6h15 (dependendo da época do ano).
Suas cinco torres simbolizam o Monte Meru, a morada dos deuses na mitologia hindu. Originalmente hindu, o templo hoje é um importante centro budista.
Após o nascer do sol, aproveite para explorá-lo com calma. Este é o maior templo religioso do mundo, quase quatro vezes maior que o Vaticano, cercado por um fosso de 190 metros de largura e um muro com mais de 1 km de extensão.
2. Angkor Thom
Angkor Thom é uma cidade fortificada dentro do complexo, com cerca de 9 km², e foi a última capital do Império Khmer. Ao atravessar seus portões monumentais, você encontrará diversos templos e estruturas históricas.
Entre os principais destaques estão:
- Bayon: conhecido como o templo das faces, com 54 torres (algumas já desmoronaram) e 216 rostos esculpidos em pedra com expressões sorridentes;
- Baphuon: dedicado a Shiva, é acessado por uma passarela elevada a partir do Bayon;
- Terraço dos Elefantes: uma plataforma de 350 metros decorada com relevos de elefantes, usada para cerimônias públicas.
3. Ta Keo
Um templo de arenito que impressiona pela altura e pela imponência. Representa o Monte Meru e chama atenção por não ter sido totalmente finalizado – e por isso, não possui entalhes decorativos, o que reforça seu aspecto bruto.
4. Ta Prohm
Um dos templos mais icônicos de Angkor, conhecido por ter servido de cenário para o filme Lara Croft: Tomb Raider. Aqui, a natureza toma conta da arquitetura: raízes gigantes envolvem as estruturas, criando um visual único e, de fato, cinematográfico.
5. Banteay Kdei
Mais tranquilo e menos visitado, esse templo budista tem estrutura labiríntica e atmosfera contemplativa. É uma boa pausa para fugir das multidões.
6. Prasat Kravan
Pequeno, mas singular, esse templo do século X se destaca por suas cinco torres de tijolos alinhadas. No interior, há raros baixos-relevos de Vishnu esculpidos diretamente nos tijolos, algo incomum no complexo.
7. Pre Rup para o pôr do sol
Finalize o dia no Pre Rup, um dos melhores pontos para ver o pôr do sol sobre a floresta. Com o céu limpo, as cores ficam ainda mais intensas.
Se ainda tiver energia, vale seguir até o lago Srah Srang logo após o sol se pôr, onde o reflexo do céu cria um espetáculo à parte.
Outra alternativa é retornar ao Angkor Wat, que também oferece um pôr do sol impressionante.
Circuito Grande (Angkor Grand Circuit): 3 dias ou mais

Preah Khan | Foto: Getty Images
Quem opta pelo Angkor Pass de 3 dias consegue ir além do circuito clássico e explorar também o Circuito Grande, que reúne templos mais afastados e, muitas vezes, menos concorridos.
8. Preah Khan
O Preah Khan é um dos templos mais fascinantes do complexo – e também um dos meus favoritos. Antigamente, funcionava como uma espécie de cidade-universidade budista e chegou a abrigar cerca de 100 mil pessoas em seu auge.
Hoje, impressiona pela grandiosidade, com corredores intermináveis, áreas parcialmente tomadas pela natureza e esculturas riquíssimas em detalhes.
9. Neak Pean
Completamente diferente dos demais, Neak Pean é um templo-ilha localizado no centro de um reservatório. O acesso é feito por uma passarela de madeira sobre a água, rendendo fotos lindíssimas.
Porém, vale observar que, durante a estação seca (especialmente entre março e abril), o nível da água baixa bastante e o efeito visual do “templo sobre a água” pode não ser o mesmo.
10. Ta Som
Pequeno e cheio de charme, Ta Som é famoso pela árvore gigante que envolve o portão dos fundos. Muitas vezes comparado ao Ta Prohm, é uma alternativa mais tranquila e menos movimentada.
11. East Mebon
Com aparência de fortaleza, esse templo chama atenção pelas esculturas de elefantes em tamanho real posicionadas nas extremidades.
Um detalhe curioso: ele foi construído originalmente em uma ilha artificial, cercada por um enorme reservatório que hoje não existe mais.
12. Phnom Bakheng para o pôr do sol
Para fechar o dia, suba até o Phnom Bakheng, um templo no topo de uma colina com vista privilegiada da região.
A caminhada até o topo leva cerca de 15 a 20 minutos e é relativamente tranquila, mas é importante chegar cedo, por volta das 16h (ou até antes na alta temporada, entre dezembro e janeiro). O acesso ao topo é limitado a 300 pessoas, e a vista do pôr do sol com Angkor Wat ao fundo faz a espera valer a pena.
Templos e monumentos para quem tem o Angkor Pass de 7 dias

Banteay Samre | Foto: Getty Images
Se você optou pelo passe de 7 dias, terá tempo de ir além dos circuitos tradicionais e explorar templos menos visitados, muitos deles com uma atmosfera mais autêntica.
Banteay Samre
Um dos templos mais bem preservados do complexo, destaca-se pelas proporções harmoniosas e pela tranquilidade. Repare nos telhados curvos de pedra e na impressionante técnica de encaixe das estruturas.
Preah Palilay
Localizado dentro de Angkor Thom, a cidade fortificada, é um templo pequeno, cercado pela floresta e extremamente fotogênico. Combina elementos hindus e budistas, refletindo a transição religiosa que ocorreu entre os séculos XII e XIII.
Phimeanakas
Também dentro de Angkor Thom, esse templo em formato piramidal ficava no complexo do palácio real e era usado exclusivamente pelo rei. A subida é íngreme, mas a vista do topo compensa o esforço.
Grupo Roluos
Considerado o berço do Império Khmer, reúne alguns dos templos mais antigos do complexo, datados do século IX. Fica a cerca de 13 km de Siem Reap e corresponde às ruínas da primeira capital do império.
Na minha opinião, esses templos lembram bastante o Parque Arqueológico de Ayutthaya, na Tailândia, que sofreu forte influência da arquitetura khmer.
- Bakong: o mais imponente do grupo e um dos primeiros templos em estilo piramidal;
- Preah Ko: famoso pelas seis torres de tijolos decoradas com estuque, técnica anterior ao uso do arenito;
- Lolei: construído originalmente em uma ilha (hoje seca), tem inscrições nas portas consideradas verdadeiras obras-primas da caligrafia khmer antiga.
Thommanon
Templo hindu clássico, dedicado a Shiva e Vishnu, com esculturas delicadas e bem preservadas.
Spean Thmor
Conhecida como a “ponte de pedra”, é uma das poucas estruturas remanescentes que conectavam diferentes áreas do império.
Curiosamente, o rio que passava por ali mudou de curso, e hoje não há mais água sob a ponte.
O QUE FAZER EM SIEM REAP (ALÉM DOS TEMPLOS DE ANGKOR WAT): MELHORES ATRAÇÕES E EXPERIÊNCIAS
Engana-se quem pensa que Siem Reap se resume a Angkor Wat e seus demais templos. Embora eles sejam o grande destaque, a cidade revela uma cena cultural vibrante, experiências autênticas e atrações que vão muito além do circuito arqueológico.
A segunda maior cidade do Camboja é viva e cheia de surpresas que merecem espaço no seu roteiro.
Confira o que fazer em Siem Reap para além de Angkor Wat:
Museu Nacional de Angkor

Foto: David Stanley via Flickr
Minha principal dica é: visite o Museu Nacional de Angkor antes de explorar o Angkor Wat e os demais templos do complexo. Ele fornece o contexto que muitas vezes falta nas ruínas e ajuda a entender melhor as diferentes fases do Império Khmer – e isso vale mesmo que você pretenda contratar um guia.
A proposta do museu é apresentar a era de ouro do império por meio de recursos multimídia e artefatos encontrados nas escavações arqueológicas, tornando a experiência mais didática e envolvente.
Entre as salas mais interessantes, destaque para a impressionante Galeria dos 1.000 Budas, onde estão expostas centenas de estátuas da divindade em diferentes estilos, períodos e materiais. Já a sala da Civilização Khmer é essencial para compreender como essa sociedade se organizava, especialmente a partir da agricultura e do comércio.
Para aproveitar melhor a visita, vale a pena investir no audioguia (US$ 5), que complementa bastante a experiência. Não há opção em português, mas você encontrará versões em inglês e espanhol.
O museu funciona diariamente, das 8h30 às 18h, e o ingresso, vendido na bilheteria, custa US$ 15.
APOPO

Foto: Divulgação
O Camboja ainda convive com as consequências das minas terrestres deixadas por décadas de conflitos, sendo esse um dos principais desafios humanitários do país.
É justamente nesse contexto que surge a APOPO, uma organização sem fins lucrativos que atua de forma tão eficiente quanto surpreendente. No centro de visitantes da ONG, você terá a oportunidade de conhecer os HeroRATs: ratos africanos gigantes treinados para detectar minas terrestres.
O trabalho é impressionante e essencial. Durante a visita, que custa US$ 10, você assistirá a uma demonstração desses animais em ação e entenderá melhor como eles contribuem para salvar vidas.
As visitas acontecem em grupos, com saídas a cada 30 minutos, entre 8h30 e 17h (último grupo às 16h30). Compre seu ingresso com antecedência no site oficial. Vale destacar que todo o valor arrecadado é revertido para o projeto.
Wat Thmey (Killing Fields de Siem Reap)

Foto: Getty Images
Para quem deseja compreender melhor o passado recente do país, essa é uma visita impactante.
O Wat Thmey é um templo budista que funciona como o principal memorial de Siem Reap dedicado ao período do Khmer Vermelho, durante o regime de Pol Pot (1975–1979). No local, que já abrigou um campo de extermínio e prisão, hoje há um espaço de memória que preserva a história desse período.
Ali, você encontrará restos mortais descobertos em valas comuns, além de exposições fotográficas e painéis explicativos que ajudam a contextualizar os acontecimentos.
Diferente de um museu tradicional, o Wat Thmey continua sendo um templo ativo, frequentado por fiéis, o que torna a experiência ainda mais sensível e comovente.
Não é uma visita leve, mas é fundamental para entender não apenas a história recente do Camboja, como também a resiliência do seu povo.
O local abre diariamente, das 7h às 18h. Se quiser se aprofundar ainda mais no tema, cidades como Battambang e Phnom Penh também contam com museus e Killing Fields abertos à visitação. Ainda assim, vale o alerta: são experiências intensas, que exigem preparo emocional.
Wat Preah Prom Rath, Wat Damnak e Wat Bo

Wat Preah Prom Rath | Foto: Getty Images
Visitar os templos budistas na região central de Siem Reap é uma excelente forma de vivenciar a espiritualidade local e se aproximar ainda mais da cultura cambojana.
O Wat Preah Prom Rath, também conhecido como Templo do Buda no Barco, fica a poucos passos do Old Market e reúne diversas estátuas que retratam a trajetória de Buda.
Já o Wat Damnak abriga uma biblioteca pública e costuma ter monges estudando no local, o que torna a visita ainda mais interessante. Além disso, conta com um agradável jardim, perfeito para uma pausa nos momentos mais quentes do dia.
Por fim, o Wat Bo é um dos templos mais antigos da cidade e se destaca pelos murais preservados, datados do século XIX.
Antes de visitar, vale lembrar: para entrar em templos budistas no Camboja, é necessário estar com ombros e joelhos cobertos.
Pub Street

Foto: Theang Rathana via Unsplash
É aqui que o caos sonoro encontra as luzes de neon e onde a noite de Siem Reap ganha vida.
A Pub Street lembra a famosa Khao San Road, em Bangkok, mas com um toque bem próprio do Camboja. A atmosfera é animada, com bares cheios, música alta e um fluxo constante de viajantes do mundo todo.
Um dos grandes atrativos são os happy hours prolongados, com draft beers custando entre US$ 0,50 e US$ 1.
Se quiser uma experiência um pouco mais tranquila, vale explorar as ruas paralelas, como a The Alley, onde você encontrará bons bares e restaurantes, mas com menos poluição visual e sonora.
Mercados de Siem Reap

Old Market | Foto: Cascoly
Os mercados são paradas quase obrigatórias para quem quer mergulhar no cotidiano local e fazer algumas compras.
O Angkor Night Market e o Art Center Night Market são boas opções para encontrar lembrancinhas, artesanato e roupas leves de algodão. Aqui, negociar faz parte da experiência, então não hesite em pechinchar.
Já o Old Market é o verdadeiro coração da cidade. Frequentado pelos moradores locais, reúne de tudo: alimentos frescos, temperos, carnes e produtos do dia a dia. É um ótimo lugar para observar a rotina cambojana e vivenciar a cultura de forma autêntica. Diferentemente dos outros mercados, ele funciona desde cedo e segue aberto até por volta das 21h.
Para quem busca algo mais original e quer apoiar a economia local, vale incluir o Made in Cambodia Market no roteiro. O espaço reúne artistas locais e projetos sociais, com peças mais autênticas e menos industrializadas.
Old Market Bridge e Old French Quarter

Old Market Bridge | Foto: Ira Lee via Flickr
A Old Market Bridge é um dos cartões-postais do charmoso bairro francês de Siem Reap, o Old French Quarter, uma área agradável para caminhadas sem pressa, especialmente no fim da tarde.
Por ali, você encontrará construções de arquitetura colonial, além de cafés e restaurantes que tornam o passeio ainda mais agradável.
Aproveite para estender o roteiro até a Hup Guan Street, uma rua com atmosfera hipster e descolada, repleta de lojinhas interessantes, bons cafés e ótimas opções gastronômicas.
Jantar com Dança Apsara

Foto: Cascoly
Não saia de Siem Reap sem assistir a um espetáculo de Dança Apsara, uma das expressões culturais mais tradicionais do Camboja.
Essa dança clássica Khmer é marcada por movimentos delicados, gestos simbólicos e uma estética quase hipnótica. Cada posição das mãos e do corpo carrega significados que remontam à mitologia e à história do Império Khmer.
Para uma experiência completa, vale apostar nos restaurantes que combinam jantar com apresentação ao vivo. Assim, você une gastronomia e cultura em uma única noite (e, na maioria dos casos, paga apenas pelo jantar).
Eu fui e recomendo o Robam Pub Street. A comida é excelente, o atendimento é ótimo e o espetáculo é lindíssimo.
Phare, The Cambodian Circus

Foto: Ted McGrath via Flickr
Assistir a um espetáculo do Phare, The Cambodian Circus é uma daquelas experiências que fogem completamente do óbvio em qualquer roteiro de o que fazer em Siem Reap.
Mas esqueça a ideia de um circo tradicional. Aqui, não há animais nem números desconexos. Cada apresentação conta uma história – muitas vezes inspirada na cultura e na história recente do Camboja – combinando teatro, música ao vivo e acrobacias impressionantes.
O melhor é que o projeto vai além do entretenimento. O Phare é o braço financeiro da Phare Ponleu Selpak, uma escola de artes fundada em Battambang por ex-refugiados, com o objetivo de transformar a vida de jovens em situação de vulnerabilidade por meio da arte.
Os ingressos custam a partir de US$ 18 e podem ser comprados antecipadamente pelo site oficial.
Aula de culinária Khmer

Khmer Cooking Class at a Local’s Home | Foto: Divulgação
Para quem gosta de experiências mais imersivas, fazer uma aula de culinária Khmer é uma excelente forma de se conectar com a cultura local.
As cooking classes costumam começar com uma visita ao mercado (geralmente o Old Market) para conhecer os ingredientes frescos e típicos da região. Em seguida, você aprende a preparar pratos tradicionais como o Fish Amok ou o Beef Lok Lak, finalizando com a melhor parte: provar tudo o que foi feito.
Se quiser uma experiência ainda mais autêntica, vale apostar na Khmer Cooking Class at a Local’s Home. Nesse formato, as aulas acontecem em casas de famílias, geralmente em áreas mais afastadas do centro.
O passeio inclui transporte de tuk-tuk, visita a mercados fora da rota turística e a chance de cozinhar em um ambiente intimista, muitas vezes no jardim ou na cozinha da própria casa.
O custo costuma variar entre US$ 25 e US$ 30. Você consegue reservar sua experiência pelo nosso parceiro Viator.
Kompong Phluk Floating Village

Foto: Siborey Sean via Unsplash
Para conhecer um lado mais autêntico do país, vale incluir a vila flutuante de Kompong Phluk no seu roteiro de o que fazer em Siem Reap.
Localizada a cerca de 30 km da cidade, a vila é formada por casas construídas sobre palafitas de até 10 metros de altura, uma adaptação impressionante ao ciclo das águas do Lago Tonle Sap.
O trajeto até lá leva entre 45 minutos e 1 hora de tuk-tuk. Já o trecho final é feito obrigatoriamente de barco, que parte de um pequeno cais onde você compra o ingresso (US$ 20 por pessoa, incluindo o passeio).
A experiência muda bastante conforme a época do ano. Durante a estação seca (março a maio), o nível da água baixa significativamente, e você chega a caminhar entre as enormes palafitas. Já na temporada de cheias (agosto a novembro), a paisagem se transforma. A vila parece flutuar, e os barcos navegam entre as copas das árvores da floresta alagada.
Lotus Farm

Foto: Getty Images
Uma parada tão bonita quanto interessante é a visita a uma fazenda de lótus. Localizada a apenas 10 km do centro de Siem Reap, o acesso é rápido (cerca de 20 minutos de tuk-tuk) e pode ser facilmente combinado com o passeio até Kompong Phluk, já que ambos ficam na mesma direção.
A visita revela o processo artesanal de transformação das fibras do caule da flor de lótus em fios têxteis, utilizados na produção de tecidos delicados e sustentáveis.
Durante o passeio, você pode caminhar por passarelas de madeira sobre as plantações, observar de perto o cultivo e entender cada etapa da produção. No local, há ainda um café que serve chá de lótus e petiscos feitos com as sementes da flor.
A fazenda funciona o ano todo, mas o auge da floração acontece entre junho e setembro. Para ver as flores abertas, o melhor horário é pela manhã.
Angkor Zipline

Foto: Divulgação
Se você não tem medo de altura e quer adicionar uma dose de adrenalina à viagem, o Angkor Zipline é uma experiência bem divertida.
As tirolesas deste verdadeiro parque de diversões em meio à selva ficam dentro do próprio Angkor Archaeological Park, próximo ao templo Ta Keo.
Para chegar até lá, é necessário ter um Angkor Pass válido (o ingresso dos templos). Outra opção é contratar o transporte oferecido pelo próprio Angkor Zipline, com valores a partir de US$ 15.
Os circuitos incluem tirolesas que cruzam a floresta, passarelas suspensas e plataformas nas copas das árvores, sempre com alto padrão de segurança.
Os preços das experiências, disponíveis no site da atração, começam em US$ 49.
Passeios de bate-volta a partir de Siem Reap

Cachoeira em Phnom Kulen | Foto: Chandara Se via Unsplash
Phnom Kulen (Montanha Sagrada)
Se a ideia for fazer um bate-volta para se conectar com a natureza, Phnom Kulen é uma excelente escolha.
Considerada a montanha mais sagrada do Camboja e o berço do Império Khmer, a região é um importante destino de peregrinação para os locais.
Localizada a cerca de 50 km ao norte de Siem Reap, a viagem leva entre 1h30 e 2h. O acesso é feito, geralmente, com passeios organizados ou carro com motorista privado.
O ingresso para o parque nacional custa US$ 20 por pessoa.
Entre os destaques do passeio estão as duas quedas d’água principais, onde é permitido nadar, e o famoso Rio das Mil Lingas (Kbal Spean), com esculturas hindus entalhadas no leito do rio que, segundo a tradição, abençoam as águas que seguem em direção a Angkor.
Outro ponto imperdível é o Preah Ang Thom, um enorme Buda reclinado esculpido em um bloco de arenito.
Beng Mealea
Localizado a cerca de 50 km de Siem Reap, o templo de Beng Mealea é frequentemente descrito como a versão mais “raiz” do Ta Prohm.
Diferente dos templos mais famosos de Angkor, Beng Mealea foi deixado praticamente como foi encontrado, sem grandes intervenções de restauração. O resultado é um cenário impressionante, onde a natureza tomou conta das estruturas, com árvores, raízes e blocos de pedra espalhados por todos os lados.
O acesso leva cerca de 1 hora de carro ou até 1h30 de tuk-tuk, e a visita proporciona uma experiência com menos turistas ao redor.
Seu ingresso custa US$ 10 e está disponível no site do Angkor Archaeological Park. Ele não está incluso no Angkor Pass.
Koh Ker e Preah Vihear Temple
Para quem tem mais tempo de viagem e quer explorar além do circuito tradicional, o combo Koh Ker + Preah Vihear é uma excelente escolha.
Koh Ker, antiga capital do Império Khmer no século X, fica a 120 km de Siem Reap. Seu principal destaque é o Prasat Thom, uma pirâmide de sete níveis com aproximadamente 36 metros de altura. É uma estrutura única no Camboja, que lembra as pirâmides maias.
O complexo é pouco visitado, o que torna a experiência ainda mais especial. O templo faz parte do Angkor Archaeological Park, porém não está incluso no Angkor Pass. O ingresso, disponível no site oficial do sítio arqueológico, custa US$ 15.
Seguindo na mesma direção por mais 100 km, chega-se ao impressionante Templo de Preah Vihear, localizado já na fronteira com a Tailândia, no alto do platô dos Montes Dângrêk.
Reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, o templo oferece não apenas valor histórico, mas também uma das vistas mais espetaculares do país.
O acesso final até o topo da montanha é feito em veículos 4×4 locais, contratados na base por cerca de US$ 25. Já o ingresso para o templo, vendido no local, custa US$ 10.
Tenha em mente que, no total, trata-se de um deslocamento longo até mesmo para uma viagem bate-volta. Serão cerca de 220 km desde Siem Reap, 440 km ida e volta.
O QUE COMER EM SIEM REAP

Fish Amok | Foto: Ionut Dabija’s Images
Comer em Siem Reap é uma verdadeira imersão cultural e, ao contrário da vizinha Tailândia, os sabores aqui costumam ser mais suaves no quesito pimenta.
A base dos pratos é o kroeung, uma pasta aromática feita com capim-limão, cúrcuma e galanga, responsável por dar perfume e profundidade à culinária Khmer.
E o melhor é que você não precisa de restaurantes sofisticados para provar os melhores pratos. É na comida de rua e nos lugares frequentados pelos locais que estão as experiências mais autênticas e saborosas.
Abaixo, confira alguns pratos que você precisa experimentar:
- Fish Amok (Amok Trei): considerado o prato nacional, é um peixe cozido no vapor com leite de coco e especiarias, servido na folha de bananeira. Há versões com frango (minha favorita) e também opções vegetarianas com tofu;
- Lok Lak: cubos de carne marinados no shoyu, servidos com salada fresca. O diferencial está no molho de limão com pimenta-do-reino de Kampot, uma das combinações mais simples e surpreendentes que já provei. Alguns restaurantes oferecem versões com tofu, tempeh ou cogumelos;
- Kuy Teav: sopa de macarrão de arroz muito popular no café da manhã;
- Bai Sach Chrouk: carne suína grelhada com alho e açúcar de palma, acompanhada de arroz e conservas;
- Khmer Curry: curry vermelho com leite de coco, mais leve e menos picante que o tailandês.
Além da culinária local, Siem Reap também oferece ótimas opções internacionais, como restaurantes franceses, italianos e mexicanos. Outro ponto positivo é a facilidade de encontrar versões vegetarianas e veganas dos pratos tradicionais, além de bons restaurantes plant-based.
Para entrar no clima antes da viagem, vale assistir ao episódio da chef Nite Yun em Chef’s Table: Noodles, na Netflix.
Onde comer em Siem Reap

Chanrey Tree | Foto: Divulgação
Uma boa forma de encontrar bons restaurantes é pesquisar no Google Maps na região em que estiver hospedado ou passeando. Dê preferência a lugares com nota acima de 4, com muitas avaliações, e filtre pelos comentários mais recentes.
Aqui, selecionei algumas opções mais conhecidas e outras que experimentei durante a minha passagem por Siem Reap:
- New Leaf Eatery: próximo ao Old Market, é uma ONG que doa lucros para projetos de educação. Serve carnes, mas quase todo o cardápio é vegano;
- Hey Bong: referência para comida 100% plant-based, tem ótimos hambúrgueres veganos e tigelas de smoothie;
- Tevy’s Place: apoia mulheres locais. Excelente pedida para comer o Fish Amok por um preço justo e com sabor caseiro;
- Chanrey Tree: elegantes e à beira-rio, foca na culinária khmer tradicional com um serviço de alto padrão. O Beef Lok Lak daqui é uma delícia;
- Mesa – Restaurant: os pratos mesclam técnicas ocidentais e sabores tradicionais cambojanos;
- Mealea Watbo: no charmoso bairro de Wat Bo, tem ambiente romântico e serve pratos clássicos da culinária francesa e khmer;
- WILD – Creative Bar & Spring Rolls: o carro-chefe são os rolinhos primavera com recheios inusitados;
- Embassy by Chef Kimsan: liderado apenas por mulheres, oferece uma experiência gastronômica de luxo baseada na culinária sazonal dos reis Khmer;
- Cuisine Wat Damnak – Siem Reap: primeiro restaurante cambojano a entrar na lista dos “50 Melhores da Ásia”. Tem menu degustação que muda quinzenalmente;
- Kroya by Chef Chanrith: no hotel Shinta Mani, oferece cozinha khmer moderna com ingredientes fresquíssimos;
- Haven: restaurante-escola que treina jovens em situação de vulnerabilidade. É famoso pelo ambiente acolhedor e pelo Chicken Khmer Curry;
- Marum: também focado em treinamento social, seu forte são os petiscos criativos, como as formigas de árvore com carne bovina.
BAIXE O MAPA DAS ATRAÇÕES!
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Siem Reap é um destino que equilibra a grandiosidade histórica dos templos de Angkor com a energia vibrante e acolhedora da vida local.
Mais do que visitar pontos turísticos, a experiência ganha força quando você se permite explorar os contrastes: do silêncio das ruínas à intensidade dos mercados, da espiritualidade dos templos à riqueza da gastronomia.
Com este guia, planejar sua viagem fica mais simples e seguro. Agora é só transformar o roteiro em realidade e se preparar para viver uma das experiências mais marcantes do Sudeste Asiático.
Tags: Angkor Wat Camboja Siem Reap



