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“Guia: o que fazer em Cortina d’Ampezzo (e Dolomitas) no inverno”


Anéis Olímpicos de Cortina d'Ampezzo

Cortina d’Ampezzo é um dos destinos de inverno mais icônicos da Itália, e não faltam motivos para isso. Encravada no coração das Dolomitas, a elegante cidade alpina combina paisagens dramáticas, excelente infraestrutura e um ar sofisticado que atrai viajantes do mundo todo durante os meses mais frios do ano.

No inverno, as Dolomitas passam por uma transformação completa. As montanhas se cobrem de neve, os lagos congelam, as estradas sinuosas ficam ainda mais cênicas e a rotina da região passa a girar em torno dos esportes de inverno. 

Parte do maior complexo de esqui da Itália, Cortina oferece acesso fácil a dezenas de estações, pistas para todos os níveis e uma das estruturas alpinas mais completas da Europa. Não por acaso, Cortina d’Ampezzo será uma das sedes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão–Cortina 2026.

Neste guia completo, você vai descobrir o que fazer em Cortina d’Ampezzo e nas Dolomitas no inverno, com sugestões que vão além do esqui.

Ao longo do artigo, falo sobre as principais áreas para visitar, como se locomover, quando ir, onde se hospedar e trago dicas práticas para montar um roteiro equilibrado, seja para uma primeira experiência na neve ou para uma viagem totalmente focada em esportes de inverno.

TEMPORADA DE INVERNO EM CORTINA D’AMPEZZO (E NAS DOLOMITAS)

A temporada de inverno em Cortina d’Ampezzo, e nas Dolomitas de forma geral, costuma se estender do início de dezembro até o final de março. Esse é o período em que a região entra em “modo inverno”, com estações de esqui em pleno funcionamento, montanhas cobertas de neve e uma atmosfera tipicamente alpina.

Para quem pretende praticar esportes de neve, como esqui e snowboard, é fundamental ficar atento às datas oficiais de abertura e fechamento dos lifts. Elas variam todos os anos de acordo com as condições climáticas e o volume de neve, e podem mudar inclusive dentro da mesma temporada.

Em geral, áreas mais altas conseguem operar até o fim de março ou começo de abril, enquanto estações em altitudes mais baixas encerram as atividades um pouco antes.

Os meses de janeiro e fevereiro costumam oferecer as melhores condições de neve. Em dezembro, especialmente no início do mês, ainda pode haver pouca neve em alguns trechos, resultando em pistas fechadas ou funcionamento parcial das estações. Já em março, apesar de ainda ser possível esquiar, as temperaturas começam a subir, e a qualidade da neve tende a cair nas áreas de menor altitude.

Esse equilíbrio entre clima e infraestrutura faz com que janeiro e fevereiro sejam também os meses mais disputados e caros. A ocupação hoteleira aumenta, os valores sobem e as pistas ficam mais cheias. Planejar com antecedência, portanto, faz toda a diferença para conseguir bons preços e aproveitar o inverno nas Dolomitas com mais tranquilidade.

QUANTOS DIAS FICAR EM CORTINA D’AMPEZZO NO INVERNO?

Rifugio Scoiattoli, em Cortina d'Ampezzo, no inverno

Rifugio Scoiattoli, na zona de 5 Torri, em Cortina d’Ampezzo | Foto: Fê Moro

Quando o assunto é inverno, a quantidade ideal de dias em Cortina d’Ampezzo depende basicamente de dois fatores: se você pretende praticar esportes de neve ou se a ideia é explorar outras atividades nas Dolomitas (ou os dois).

Antes de tudo, vale deixar claro: este guia é focado exclusivamente no inverno. Se a sua viagem for nos meses mais quentes, recomendo conferir o meu guia completo sobre o que fazer nas Dolomitas no verão, onde explico como montar um roteiro totalmente diferente do que você encontrará nesta época do ano.

Dito isso, para quem não esquia nem pratica snowboard, dois a três dias em Cortina d’Ampezzo costumam ser suficientes para conhecer o centrinho, curtir os restaurantes e fazer passeios mais contemplativos na região.

Já para quem pretende praticar algum esporte de inverno, vale considerar pelo menos quatro a cinco dias. Assim, dá para explorar diferentes áreas do complexo de esqui com calma e alternar dias de pista com momentos de descanso.

ONDE FICAR EM CORTINA D’AMPEZZO NO INVERNO

Anéis Olímpicos de Cortina d'Ampezzo

Anéis Olímpicos de Cortina d’Ampezzo | Foto: Fê Moro

No inverno, a escolha de onde ficar em Cortina d’Ampezzo faz ainda mais diferença do que no verão.

Os dias são curtos, as estradas de montanha podem ficar escorregadias ou até temporariamente inacessíveis, e dirigir na neve exige experiência. Para completar, esta é a alta temporada absoluta da região, e os preços dos hotéis sobem consideravelmente.

Pensando em praticidade, ficar no centro de Cortina d’Ampezzo costuma ser a melhor escolha. É ali que se concentram restaurantes, cafés, lojas e serviços, o que reduz a necessidade de deslocamentos constantes.

Além disso, as principais rotas de skibus passam pelo centrinho e levam diretamente às principais áreas de esqui, dispensando o uso do carro. E se você estiver motorizado, vale saber que o estacionamento em Cortina é limitado, então vale sempre verificar se o hotel oferece vagas.

Para quem busca uma experiência mais imersiva, há também hotéis nas montanhas, inclusive com ski in/ski out, onde é possível sair do quarto diretamente para as pistas. Extremamente conveniente para quem vai esquiar vários dias seguidos e quer maximizar o tempo na neve.

quem pretende economizar pode considerar ficar fora do centro ou até em cidades vizinhas, como San Vito di Cadore, garantindo tarifas mais acessíveis do que Cortina.

No entanto, é importante ter em mente que, em áreas mais isoladas, as condições das estradas no inverno podem ser desafiadoras. Eu mesma já atolei em uma nevasca à noite e, hoje, pensaria dez vezes antes de pegar o carro para sair para jantar.

Abaixo, confira uma boa seleção de hotéis para ficar em Cortina d’Ampezzo no inverno:

Bom custo-benefício

  • B&B Hotel Passo Tre Croci Cortina: a 15 min de carro do centro de Cortina, tem pistas de esqui de fundo logo ao lado e fica nas proximidades da zona de esqui alpino “Faloria-Cristallo” (nível avançado). As instalações são modernas e contam com um bar e restaurante. Algumas tarifas incluem café da manhã;
  • Hotel Villa Argentina: fica a menos de 5km do centro de Cortina, colado ao complexo esquiístico de Pocol (ski-in / ski-out), e oferece aluguel de equipamentos. É um hotel relativamente grande, mas com estrutura familiar, e oferece um bom café da manhã nas diárias. Também há um restaurante no local;
  • Hotel Montana: com localização central em Cortina, possui uma estrutura simples e completa. O café da manhã está incluso nas diárias e há estacionamento gratuito no local (vagas limitadas);
  • Hotel Oasi: também central, possui ambiente acolhedor e estacionamento gratuito. No local também há sala para armazenamento dos equipamentos e o café da manhã está incluso em algumas tarifas.

Conforto

  • Hotel Columbia & Spa: a menos de 1km do centro, é um hotel bem ao estilo de chalé alpino. Os quartos possuem vista das montanhas e as diárias incluem café da manhã italiano. O teleférico Tofana fica a 300m, enquanto a parada do skibus está a 50m dali. Também há estacionamento e um pequeno Spa no local;
  • Franceschi Park Hotel: é um hotel 4 estrelas tradicional, próximo ao centrinho (dá pra ir caminhando), com estacionamento e café da manhã incluído. O local ainda conta com bar, restaurante, spa e áreas de lazer;
  • Baita Fraina: é uma estrutura de estilo alpino rústico, mas com instalações novas e modernas. Fica em um bonito vale a 3km do centro e oferece café da manhã com produtos artesanais incluído. No local também há um bom restaurante, que inclusive é recomendado pelo Guia Michelin.

Luxo

  • Dolomiti Lodge Alverà: a menos de 5 min de carro do centro, é um hotel alpino moderno com estrutura impecável. Possui restaurante, SPA, academia e piscina com vista para as montanhas. O excelente café da manhã à la carte é incluso nas diárias;
  • Faloria Mountain Spa Resort: a 3km do centro (com transfer gratuito em alguns horários), na pequena vila de Zuel di Sopra, é um 5 estrelas moderno e sofisticado. Conta com piscina aquecida, spa, café da manhã elogiado e restaurante;
  • HOTEL de LEN: novo e moderno, fica no centro de Cortina d’Ampezzo. Apesar da posição central, é silencioso e possui uma bonita vista das montanhas. No local há um SPA, bar e restaurante.

O QUE FAZER EM CORTINA D’AMPEZZO E NAS DOLOMITAS NO INVERNO

Não tem muito mistério: os esportes de inverno são o grande protagonista em Cortina d’Ampezzo e em toda a região das Dolomitas. Não à toa, Cortina será uma das sedes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, ao lado de outras estações dos Alpes italianos que darão suporte às competições.

Ainda assim, o inverno nas Dolomitas não se resume às pistas.

Mesmo quem não esquia encontra uma série de experiências que fazem a viagem valer a pena. As paisagens cobertas de neve são espetaculares, os vilarejos alpinos ficam super charmosos e os spas de montanha se tornam um convite irresistível em um dia no frio.

A seguir, reuni as principais atrações e atividades para aproveitar Cortina d’Ampezzo e as Dolomitas no inverno, com dicas práticas para você decidir o que realmente vale a pena incluir no roteiro.

Ski alpino e snowboard

Estação de Ski em Cortina d'Ampezzo, nas Dolomitas

Zona skiistica de 5 Torri, em Cortina d’Ampezzo | Foto: Fê Moro

Cortina d’Ampezzo abriga uma das estações de esqui mais renomadas da Itália, com uma estrutura completa para receber tanto iniciantes quanto esquiadores experientes.

A cidade faz parte do gigantesco complexo Dolomiti Superski, o que garante acesso a pistas bem cuidadas, sistemas de lifts modernos e uma organização eficiente ao longo de toda a temporada.

Apesar de toda essa infraestrutura, quem vai esquiar ou praticar snowboard em Cortina pela primeira vez costuma ter algumas dúvidas comuns: qual área escolher, como funcionam os passes, onde alugar os equipamentos, como se deslocar entre as estações, e por aí vai.

Por isso, reuni aqui todas as dicas que eu gostaria de ter lido antes da minha viagem de inverno a Cortina d’Ampezzo, com informações práticas para te ajudar a evitar erros e a otimizar o tempo.

O que é o Dolomiti Superski?

Estação de ski em Tofana, Cortina d'Ampezzo

Estação de ski na área de Tofana, em Cortina d’Ampezzo | Foto: Fê Moro

A estação de esqui de Cortina d’Ampezzo faz parte do Dolomiti Superski, um dos maiores complexos de esqui do mundo. Trata-se de um consórcio que integra 12 áreas de esqui nas Dolomitas, totalizando cerca de 1.200 km de pistas interligadas por lifts modernos e bem organizados.

As 12 áreas que compõem o Dolomiti Superski são:

  • Cortina d’Ampezzo

  • Alta Badia

  • Val Gardena / Alpe di Siusi

  • Val di Fassa / Carezza

  • Arabba / Marmolada

  • Kronplatz (Plan de Corones)

  • Alta Pusteria (3 Zinnen Dolomites)

  • Val di Fiemme / Obereggen

  • San Martino di Castrozza / Passo Rolle

  • Gitschberg Jochtal / Brixen

  • Alpe Lusia / San Pellegrino

  • Civetta

Sozinha, Cortina d’Ampezzo conta com cerca de 120 km de pistas, a maioria delas interconectadas, o que já garante dias inteiros de esqui sem repetir percursos. Ao comprar o skipass, é possível escolher entre o passe local (Valley Pass), que dá acesso apenas uma das 12 áreas, ou o Skipass Dolomiti Superski, válido para todas as regiões do consórcio.

Dica: pela minha experiência, só vale a pena investir no passe completo se você pretende dedicar vários dias exclusivamente ao esqui. Para quem vai esquiar apenas um ou dois dias, uma única área já oferece variedade suficiente de pistas, além de exigir bastante tempo e energia.

Outro ponto a considerar é a logística. O deslocamento entre diferentes áreas do Dolomiti Superski pode ser demorado, especialmente se você não estiver de carro.

Agora, para quem tem tempo, flexibilidade e disposição, apostar no “combo” certamente compensa. Combinar Cortina d’Ampezzo, Alta Badia e Val Gardena/Alpe di Siusi (incluindo os famosos circuitos Sellaronda e Super8) é uma experiência clássica para quem quer aproveitar o melhor do esqui nas Dolomitas.

Tipos de skipass e valores

O próprio Dolomiti Superski é responsável pela venda dos passes, e os valores variam principalmente de acordo com três fatores: a área escolhida, o período da temporada e o número de dias.

Para ter uma ideia, estes são os preços praticados para o passe diário na temporada 2025/2026:

  • Skipass Dolomiti Superski (12 áreas): €77 na temporada intermediária, ou €86 na alta temporada
  • Valley Pass – Cortina d’Ampezzo: €72 na temporada intermediária, ou €80 na alta temporada

Além do passe diário, também é possível comprar passes para vários dias consecutivos ou não consecutivos, bem como passes de temporada, que reduzem o valor médio por dia para quem esquia com frequência.

Há ainda descontos específicos para crianças, jovens e idosos, aplicados automaticamente no momento da compra.

Além disso, ao comprar o skipass online pelo site oficial do Dolomiti Superski, com pelo menos dois dias de antecedência, há 5% de desconto em qualquer tipo de passe. Após a compra, o cartão de acesso deve ser retirado em um dos pontos de coleta.

Zonas de esqui de Cortina D’Ampezzo

Cortina d’Ampezzo possui uma estrutura de esqui bastante completa, com 35 teleféricos e gôndolas (felizmente, sem os terríveis rope tows) e cerca de 86 pistas distribuídas em diferentes áreas.

Cada zona tem suas particularidades, tanto em nível de dificuldade quanto na própria paisagem, o que ajuda bastante na hora de montar o roteiro de esqui.

Abaixo, deixo um mapa das zonas para ajudar na identificação. Clique aqui para abrir a imagem em alta resolução.

Mapa das pistas e teleféricos de Cortina d'Ampezzo

Para facilitar o planejamento, explico como funcionam as principais zonas esquiáveis de Cortina d’Ampezzo e para que tipo de esquiador ou snowboarder cada uma delas é mais indicada:

Socrepes / Tofane

É a principal área de esqui de Cortina e uma das mais completas. Reúne uma boa variedade de pistas azuis e vermelhas, o que a torna ideal para iniciantes e esquiadores intermediários.

Além disso, é ali que acontecem várias competições (incluindo as provas de esqui alpino feminino das Olimpíadas 2026) e onde fica o principal après-ski da cidade (no Chalet Tofane, mais precisamente – melhor aos finais de semana).

Como chegar: acesso fácil por carro, skibus ou teleférico que parte do centro de Cortina.


Faloria-Cristallo

Essa é uma das áreas mais altas e frias de Cortina, o que costuma garantir melhores condições de neve em dias ensolarados. Em contrapartida, é também a mais sensível ao mau tempo, já que ventos fortes ou neblina podem afetar o funcionamento dos teleféricos.

As pistas são majoritariamente vermelhas e pretas, indicadas para esquiadores intermediários e avançados.

Como chegar: acesso por carro, skibus ou teleférico saindo do centro da cidade.


5 Torri – Lagazuoi

Menor em extensão, mas extremamente cênica, essa é uma área mais alta, com vistas espetaculares das formações rochosas das 5 Torri. As pistas são predominantemente vermelhas e, na minha opinião, estão entre as mais bonitas de Cortina.

Quem possui o skipass Dolomiti Superski pode aproveitar o famoso circuito Super 8, que conecta as pistas de Cortina à região de Alta Badia, oferecendo um dia inteiro de esqui com paisagens incríveis.

Como chegar: acesso por carro ou skibus. Também é possível utilizar a gôndola Skyline Cortina, que conecta diretamente a área de Tofane (Son dei Prade) à base das 5 Torri (Bai de Dones).


Auronzo

É uma área menor e mais tranquila, com cerca de 13 km de pistas. A maioria das descidas é vermelha, com apenas uma pista preta e uma área específica para iniciantes. Por estar em altitude mais baixa, a cobertura de neve pode ser irregular no início e no fim da temporada.

Como chegar: acesso por carro ou skibus.


Misurina

É a menor área de esqui de Cortina, com aproximadamente 5 km de pistas azuis, ideal para iniciantes e crianças. Por conta do relevo mais suave, acaba sendo bastante procurada também para a prática de esqui de fundo.

Como chegar: acesso por carro ou skibus.


San Vito di Cadore

Localizada a cerca de 11 km de Cortina d’Ampezzo, na cidade de mesmo nome, é uma área bastante voltada para famílias. Conta com pistas azuis e vermelhas, áreas infantis e escola de esqui, sendo uma boa alternativa para quem busca algo mais tranquilo.

Como chegar: acesso por carro ou skibus.

Estacionamento e skibus em Cortina d’Ampezzo

Para quem pretende esquiar em Cortina d’Ampezzo, entender como funcionam estacionamento e skibus ajuda bastante a evitar dor de cabeça.

Existem estacionamentos gratuitos no sopé e em pontos estratégicos das principais áreas esquiáveis de Cortina. A dica, no entanto, é chegar cedo. As vagas se esgotam rapidamente, principalmente em janeiro, fevereiro e durante fins de semana e feriados.

O estacionamento de Tofane, ao lado do Chalet Tofane, é de longe o mais disputado. Caso ele esteja cheio, uma boa alternativa é seguir pela estrada até o estacionamento na localidade de Pocol, próximo à Baita Resch, que fica ao lado do teleférico e costuma ter disponibilidade.

Quem se hospeda no centro de Cortina d’Ampezzo ou em alguns hotéis específicos dos arredores pode, inclusive, dispensar o carro e utilizar o skibus, disponível gratuitamente para portadores de skipass. 

Para planejar melhor os deslocamentos, vale conferir o mapa oficial das linhas de skibus da temporada 2025/2026, que mostra todas as rotas, paradas e frequência.

Aluguel de equipamentos de neve em Cortina d’Ampezzo

Roupa e equipamentos de snowboard

Prancha e botas de snowboard que aluguei na Snow Service, em Cortina d’Ampezzo | Foto: Fê Moro

Cortina d’Ampezzo conta com diversas lojas especializadas no aluguel de equipamentos de esqui e snowboard, mas a minha recomendação é a Snow Service.

Eles possuem três lojas no centro de Cortina e, além de equipamentos de esqui e snowboard (sempre de boas marcas), também alugam capacetes, goggles, roupas completas de esqui, trenós, snowshoes, equipamentos para escalada no gelo e até carrinhos de bebê adaptados para a neve.

Outro ponto positivo é a possibilidade de reserva online, com todos os preços listados no site. Isso evita surpresas, garante disponibilidade na alta temporada e permite comparar as categorias de equipamento com calma antes da viagem.

Para quem quer otimizar o tempo, a loja também permite retirar todo o equipamento na tarde anterior ao dia de esqui. Assim, você começa o dia seguinte já pronto para ir direto às pistas, sem perder tempo em filas ou ajustes logo cedo.

Caminhada com raquetes de neve (snowshoes)

Raquetes de caminhada na neve

Raquetes de caminhada na neve | Foto: Getty Images

Para quem quer viver o inverno nas Dolomitas de forma mais contemplativa (e sem precisar esquiar) a caminhada na neve com raquetes é uma das experiências mais agradáveis em Cortina d’Ampezzo.

A atividade permite explorar florestas, vales e planaltos cobertos de neve, com esforço moderado e vistas incríveis, mesmo para quem não tem experiência prévia.

Em Cortina e arredores, há diversas rotas bem sinalizadas e adequadas para caminhadas com raquetes, muitas delas acessíveis diretamente por estrada. Entre as áreas mais procuradas estão as trilhas nas proximidades do Lago di Auronzo e Lago di Misurina, que oferecem percursos relativamente tranquilos e cenários espetaculares no inverno.

E, para quem estiver de carro e quiser esticar o passeio além de Cortina, duas áreas famosas e absolutamente lindas para caminhadas na neve são o Alpe di Siusi, acessível por teleférico partindo de Ortisei ou Siusi, e o Cinema delle Odle, no Val di Funes.

Alguns hotéis e escolas de esqui também organizam passeios guiados, o que pode ser interessante para quem prefere caminhar acompanhado ou quer aprender mais sobre a região.

Esqui de fundo (ski cross-country)

Grupo praticando ski cross-country no Alpe di Siusi, nas Dolomitas

Grupo praticando ski cross-country no Alpe di Siusi | Foto: Fê Moro

O esqui de fundo (ou ski cross-country) é uma ótima opção para quem quer aproveitar o inverno nas Dolomitas na neve, mas sem a adrenalina das descidas do esqui alpino.

Diferente do esqui tradicional, aqui o percurso acontece em áreas planas ou com leves ondulações, geralmente em meio a florestas, vales e lagos congelados.

O que muita gente não sabe é que em Cortina d’Ampezzo e arredores há uma excelente infraestrutura para o esqui de fundo, com trilhas bem preparadas e cenários espetaculares. Dentro da própria cidade há circuitos menores, mas os destaques ficam nos arredores, especialmente para quem dispõe de carro.

O Lago di Dobbiaco (Toblacher See) é um dos lugares mais bonitos e populares para a prática. O circuito contorna o lago e atravessa áreas de floresta, com pistas bem cuidadas e vistas incríveis das montanhas cobertas de neve.

Bem próximo dali fica a Nordic Arena Toblach, perfeita para quem quer iniciar no esporte. Com estrutura completa, o local conta com diversas pistas, aluguel de equipamentos e escola especializada, onde é possível reservar aulas individuais ou em grupo.

Para quem quiser ir mais longe, outro lugar bem legal (e cênico) para praticar o esporte é o Alpe di Siusi.

Visitar algumas das paisagens mais icônicas das Dolomitas no inverno

Lago di Dobbiaco, nas Dolomitas, no inverno

Lago di Dobbiaco no inverno | Foto: Fê Moro

Mesmo no inverno, quando muitos lagos congelam e algumas estradas ficam temporariamente fechadas, as Dolomitas continuam oferecendo paisagens espetaculares. E apesar de mudarem completamente de cara, alguns dos seus cartões-postais mais famosos podem, sim, ser visitados nessa época.

O Lago di Braies é um deles. No inverno, ele costuma ficar completamente coberto por gelo e neve, criando um cenário quase monocromático. Em dias de céu limpo, o contraste entre o branco da paisagem e os picos rochosos é especialmente bonito, e o passeio ao redor do lago pode ser feito a pé ou com raquetes de neve, dependendo da quantidade de neve acumulada.

O Lago di Dobbiaco é outra possibilidade bem legal. Por estar em uma altitude mais baixa e ter água corrente, ele não congela completamente, o que garante variações interessantes na paisagem, com trechos de água e de gelo.

Já o Lago di Misurina costuma congelar totalmente nos meses mais frios. Ainda assim, é um passeio que vale a pena.

Além dos lagos, passos de montanha como o Passo Falzarego e o Passo Giau costumam permanecer abertos (salvo em dias de nevasca intensa, quando o fechamento da pista é sinalizado) e garantem vistas impressionantes sem a necessidade de trilhas.

Quem quiser ir um pouco mais longe ainda pode dar um pulo em Santa Maddalena, no Val di Funes, que não costuma acumular tanta neve, ou subir no teleférico do Alpe di Siusi, que, apesar de ser tomado por pistas de esqui, também permite apreciar belas vistas sem muito esforço.

Dica: na dúvida sobre as condições climáticas de cada local, que variam bastante de um ponto para outro, vale ficar de olho nas webcams (basta dar um Google em “nome do local + webcam”).

Relaxar em águas termais ou num SPA

Piscina do QC Terme Dolomiti, em Pozza di Fassa

Piscina do QC Terme Dolomiti | Foto: Fê Moro

Depois de alguns dias enfrentando o frio, reservar um tempo para relaxar em um spa é uma ótima forma de variar a programação e relaxar durante a viagem.

Alguns hotéis de alto padrão em Cortina d’Ampezzo contam com áreas de spa abertas também a não hóspedes, mediante pagamento de day use ou agendamento prévio.

Entre os mais conhecidos está o Faloria Mountain Spa Resort, que oferece piscina aquecida, área de relaxamento, sauna e serviços de massagem. Outra boa opção é o Resapedra Spa Resort, com piscina aquecida, saunas internas e ao ar livre e um completo centro de tratamentos.

Agora, se você estiver de carro e não se importar em pegar a estrada, uma excelente ideia é estender o passeio até as termas de Val di Fassa, uma das regiões mais conhecidas das Dolomitas quando o assunto é bem-estar.

Ali, a minha recomendação absoluta é o QC Terme Dolomiti, em Pozza di Fassa. Moderno e muito bem estruturado, o complexo é cercado pelas montanhas (a vista é realmente linda!) e conta com piscinas termais ao ar livre, um percurso sensorial, saunas panorâmicas e diversas áreas de relaxamento.

Passeio no centro de Cortina d’Ampezzo

Centro de Cortina d'Ampezzo, nas Dolomitas

Via del Corso, no centro de Cortina d’Ampezzo | Foto: Fê Moro

O centro de Cortina d’Ampezzo é pequeno e muito fácil de explorar a pé, podendo ser conhecido em um passeio rápido. A vida local se concentra basicamente ao longo da Corso Italia, a principal rua de pedestres, onde está a maior parte das lojas, cafés, restaurantes e serviços.

Não espere um centro histórico repleto de atrações monumentais. O passeio pelo centrinho é mais sobre atmosfera do que sobre pontos turísticos específicos.

Ao longo da rua, você encontrará lojas de marcas italianas e internacionais, principalmente de artigos esportivos, além de boutiques mais sofisticadas. Há também boas cafeterias e confeitarias, ideais para uma pausa no meio da tarde, além de bares e restaurantes que ficam mais animados no après-ski.

Outro destaque é a Basilica dei Santi Filippo e Giacomo, a principal igreja da cidade. Vale a pena entrar para conhecer o interior, especialmente se você estiver passeando sem pressa.

Por fim, vale também tirar uma foto nos arcos olímpicos, ao lado do mercado gourmet Le Eccellenze di Esselunga. Em dias claros, o local garante uma linda vista das montanhas ao fundo.

Como chegar e se locomover em Cortina d’Ampezzo no inverno

Estrada do Passo Giau, nas Dolomitas

Passo Giau lotado de neve | Foto: Fê Moro

Gosto sempre de reforçar o “no inverno” quando falo de transporte em Cortina d’Ampezzo, porque nas Dolomitas tudo muda conforme a estação.

As opções para chegar à cidade, a frequência de ônibus e as condições das estradas variam bastante entre verão, inverno e baixa temporada. No inverno, felizmente, as opções de transporte público funcionam melhor (mas ainda assim exigem planejamento).

Mesmo para quem opta por um transporte independente, como alugar um carro (o que eu particularmente recomendo), é importante ficar atento a algumas regras e particularidades da região nessa época do ano.

Carro

Para quem quer mais liberdade e pretende circular por diferentes áreas das Dolomitas, o carro é definitivamente a opção mais prática. Ele facilita o acesso às estações de esqui, lagos, e regiões mais afastadas, além de permitir mais flexibilidade no roteiro.

O ponto de retirada vai depender do seu roteiro, mas os locais mais práticos geralmente são Bolzano e Veneza. Embora Bolzano esteja mais próxima, o tempo de viagem é praticamente o mesmo (cerca de 2h30), já que, a partir de Veneza, há um bom trecho de pista dupla pedagiada. Para quem prefere pegar menos estrada de montanha, recomendo a segunda opção.

Um detalhe importante é que, no inverno, é obrigatório circular com pneus de inverno ou correntes em grande parte do norte da Itália. Placas na estrada indicam a obrigatoriedade do uso de correntes em caso de nevasca.

As locadoras normalmente fornecem carros já equipados, mas vale confirmar no momento da retirada do veículo. Aliás, algo comum (e permitido) é a substituição das correntes por “meias de neve”. Se você não tiver prática, vale assistir a um tutorial para aprender a colocá-las caso seja necessário (e não fazer como eu, que precisei aprender no meio de uma nevasca).

Outra situação possível é o fechamento temporário de alguns passos de montanha em caso de condições extremas. Geralmente, há placas eletrônicas informando se o passo está aberto ou fechado antes mesmo de você pegar o acesso.

Ônibus Veneza → Cortina

Para quem não quer dirigir, há ônibus diretos ligando Veneza a Cortina d’Ampezzo, operados pela Cortina Express e pela ATVO.

Na alta temporada de inverno, a frequência é boa, com vários horários por dia. Já na baixa temporada, o número de viagens diminui bastante, o que exige mais planejamento.

O trajeto leva cerca de 2h30 a 3h, dependendo das condições da estrada e do trânsito, e custa entre €15 e € 25.

Skibus

Dentro de Cortina, o skibus é uma excelente alternativa ao carro. Ele é gratuito para quem possui skipass ativo e conecta o centro da cidade às principais áreas de esqui, além de passar por alguns hotéis fora do centro.

Os ônibus circulam em horários predefinidos, ajustados ao funcionamento dos teleféricos, o que facilita bastante a logística de quem vai esquiar.

Para você se planejar melhor, o mapa oficial das linhas de skibus da temporada 2025/2026 mostra todas as rotas, paradas e frequência. Além disso, os próprios hotéis costumam informar seus hóspedes sobre as melhores linhas e horários.

Táxi

Não há Uber nem outros aplicativos de transporte em Cortina d’Ampezzo (e em boa parte da Itália). Por isso, quem precisar de um serviço de transporte individual deverá recorrer aos táxis.

O serviço é operado pela Cortina Taxi Service e, tecnicamente, não se trata de um táxi convencional, mas do que a própria empresa define como um ‘serviço de aluguel de veículos com motorista’. Ou seja, funciona como um transfer privado.

Os valores não são definidos por taxímetro, mas combinados previamente. É possível reservar a corrida e consultar os valores no site da empresa, pelo telefone +39 347 4322401 ou por meio da recepção dos hotéis.

Vale a pena conhecer Cortina d’Ampezzo no inverno?

Boneco de neve em Cortina d'Ampezzo

Foto: Fê Moro

Para muitos viajantes, o inverno é justamente o melhor momento para conhecer Cortina d’Ampezzo.

Montanhas cobertas de neve, infraestrutura completa, esportes de inverno e uma atmosfera que mistura tradição, natureza e sofisticação… Para quem esquia ou pratica snowboard, poucas regiões da Europa oferecem uma combinação tão completa de pistas, paisagens e estrutura quanto a “Dama das Dolomitas”.

Mas mesmo quem não pisa nas pistas encontra motivos de sobra para incluir o destino no roteiro: trilhas com raquetes de neve, lagos congelados, estradas cênicas, spas de montanha e uma gastronomia perfeita para os dias frios.

Claro, é um destino que exige planejamento. O inverno é alta temporada, os preços sobem, o clima pode interferir nos deslocamentos e algumas decisões (como onde ficar e como se locomover) fazem toda a diferença na experiência final.

Ainda assim, para quem se organiza bem, Cortina entrega exatamente o que promete!

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