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“O que fazer no PETAR, o parque das cavernas”

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira – PETAR é uma importante reserva natural de 35 mil hectares de extensão, com centenas de cavernas, sítios arqueológicos, comunidades quilombolas, diversas cachoeiras e trilhas em meio à mata atlântica. Não a toa, é reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Mas, afinal, o que fazer no PETAR?

Dentre as atividades esportivas mais comuns no local, estão: boia cross, rapel, escaladas, espeleo, tirolesa e cascading. Além disso, há muitas trilhas, cavernas e cachoeiras para conhecer. Mas é importante saber que as atividades são realizadas nos 4 Núcleos em que o PETAR é dividido, que são o Ouro Grosso, o Santana, o Caboclos e o Casa de Pedra. Para acessá-los, em regra, é necessário pagar uma taxa de R$16 e estar acompanhado de um monitor ambiental (são raras as exceções).

Neste post, vamos falar sobre como chegar e se locomover no PETAR, onde ficar e dicas dos melhores passeios nos 4 Núcleos do PETAR. Confira tudo a seguir!

ONDE FICA O PETAR

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira – PETAR fica no extremo sul do Estado de São Paulo, entre as cidades de Apiaí e Iporanga. Dentre as capitais, a mais próxima é Curitiba, no Paraná. Confira onde fica o PETAR no mapa:

COMO CHEGAR E SE LOCOMOVER NO PETAR

De avião:

O aeroporto mais próximo do PETAR é o de Curitiba (Aeroporto Internacional Afonso Pena – CWB), que está a 200 km. Outras opções são os Aeroportos de Congonhas (CGH) e de Guarulhos (GRU), na capital paulista, e o Aeroporto de Viracopos (VCP), em Campinas. Esses últimos ficam a cerca de 330km de distância.

De carro:

Pra quem vem de outros estados, o ideal é desembarcar em um dos aeroportos citados – preferencialmente o de Curitiba – e então seguir viagem de carro, que é a melhor opção para chegar e se locomover no Petar. Quem parte de Curitiba pode pegar a Rodovia Régis Bittencourt, que é quase toda duplicada. Já quem parte de São Paulo poderá escolher entre a Régis Bittencourt  e a Castelo Branco.

De ônibus:

De Curitiba, é possível fazer o trajeto de ônibus até Apiaí com a Viação Graciosa. Já quem sai da capital paulista, poderá ir até Apiaí com a Transpen.

Pra quem se hospeda em Iporanga, ainda é necessário pegar outro ônibus de Apiaí para lá. Quem faz o trajeto é a Expresso Princesa dos Campos.

Como se locomover no PETAR:

Conforme já dito, o melhor meio para se locomover no PETAR é de carroComo não existem outros meios de transporte no Parque, a única alternativa ao carro (próprio ou alugado) é contratar uma agência que realize todos os passeios e traslados.

Caso você opte por alugar um veículo, na Rent Cars é possível cotar os preços das locadoras na sua região.

ONDE FICAR NO PETAR: CAMPINGS, POUSADAS E HOTÉIS

É possível se hospedar tanto na cidade de Apiaí quanto em Iporanga, sendo a segunda opção mais próxima da maioria dos atrativos. Em Iporanga, é no Bairro da Serra que se concentram a maioria das opções de hospedagem

Mas é claro que o melhor local de hospedagem dependerá de quais Núcleos você conhecerá. Por isso, vale dar uma estudada no roteiro previamente e, então, decidir o local de hospedagem.

Dentre as opções de onde ficar no PETAR, você pode conferir algumas das nossas recomendações:

Hostel
  • Na região central de Iporanga, o Down The River Hostel fica nas margens do Rio Ribeirão e é uma boa opção econômica para viajantes solo. Além dos quartos coletivos, também é possível reservar quartos privativos, inclusive para famílias. As diárias partem de R$54, mas o café da manhã é pago a parte.
Pousadas e Hotéis
  • A apenas 100 m da cachoeira Sem Fim (uma das mais famosas da área), a Pousada São Francisco é uma opção com bom custo-benefício. O café da manhã está incluso nas diárias e ainda há um restaurante funcionando no local.
  • No Bairro da Serra, a Pousada da Serra PETAR possui ambiente familiar e oferece acomodações simples e confortáveis aos hóspedes. O café da manha é incluso nas diárias e é possível reservar quartos para até 5 pessoas. 
  • Já no centro de Iporanga, a melhor estrutura é a da Gamboa Eco Refugio Pousada. Possui um belo jardim, piscina e um lago para pesca e canoagem. Os quartos são confortáveis e o café da manhã também é incluso nas diárias.
Campings
  • Existem vários campings na região, mas alguns dos mais recomendados são o Camping do Benjamim, o Camping Moria e o Camping do Dema. O preço das diárias gira por volta de R$25,00 por pessoa, mas como os sistemas de reserva são feitos diretamente, é melhor mandar e-mail ou ligar para conferir e reservar.

O QUE FAZER NO PETAR

Em primeiro lugar, é importante saber que todas as cavernas e boa parte das demais atrações do PETAR exigem o acompanhamento de um Monitor Ambiental Local. Cada monitor pode acompanhar um grupo de até 8 pessoas. Você poderá contratar um monitor por intermédio de uma agência local ou diretamente (recomendo pedir sugestões à pousada em que estará hospedado). O preço varia de acordo com cada monitor, por isso é interessante tentar negociar um pacote previamente. 

Se você for na alta temporada, não deixe para a última hora! É bem capaz de chegar à cidade e não encontrar nenhum guia disponível.

Em alguns locais também é obrigatório o uso de equipamentos de segurança, como capacetes e lanternas. Se você não tiver nada disso, não se preocupe, já que é possível alugar no PETAR. O seu guia pode te ajudar com isso.

Dito isso, vamos às principais opções de o que fazer no PETAR em cada um dos seus Núcleos:

Núcleo Caboclos

Caverna Temimina

Foto: Caverna Temimina por C. R. Malaquias, via Wikimedia Commons

O Núcleo Caboclos fica um pouco mais distante do “centro turístico” e, por isso, não é o mais visitado. Porém, possui diversas atrações espetaculares!

Localizado no Município de Apiaí, o acesso é feito através da Rodovia SP-250 km 294. Dentre as melhores atrações, você pode conferir:

Trilha do Chapéu

Na verdade, esse é um conjunto de atrações que conta com o acesso a 4 cavernas, com trilha de nível fácil:

  • Chapéu Mirim I e II: são caverna pequenas, mas por estarem no caminho valem a visita. Inclusive, é possível fazer rapel na primeira;
  • Aranhas: possui uma formação bastante particular em seu interior e um rio que a corta, mas não é muito grande;
  • Gruta + Pedra do Chapéu: a gruta é um pouco mais ampla que a anterior, com muita diversidade de formações rochosas e com vários salões em seu interior. Já a Pedra do Chapéu é um monumento de granito, apoiado em apenas dois pontos, e é uma importante atração do Núcleo.
Caverna Desmoronada

Famosa pela incidência de raios de solares em sua “boca”, forma uma paisagem muito bonita. Além disso, as várias estalactites presentes em seus salões completam o visual.

Caverna Temimina

Possui uma entrada maravilhosa, digna de fotos profissionais. Mas prepare-se para realizar parte do percurso passando pela água, já que o rio de mesmo nome corta a caverna. São 4 horas de trilha (ida e volta).

Trilha do Maximiano

Dá acesso às cachoeiras Maximiano e Sete Reis, que possuem 6 e 10 metros de altura respectivamente, além de piscinas naturais para banho.

Acima estão listadas as atrações que conheci no Núcleo Caboclos e que considero mais interessantes. Outras bastante conhecidas também são: Caverna Arataca, Caverna Cristais, Caverna Espírito Santo, Caverna Furo da Agulha, Caverna Monjolinho Caverna Pescaria.

Núcleo Santana

Trilha do Betari no Parque PETAR

Foto: Trilha do Betari por Rodrigo Tetsuo Argenton, via Wikimedia Commons

De todos os Núcleos do PETAR, esse foi o que mais me agradou. Então, se eu tivesse que escolher apenas um para visitar, seria ele.

O acesso ao Núcleo Santana fica próximo do Bairro da Serra, em Iporanga (via Rota das Cavernas – SP 165), que concentra a maioria das pousadas. Por esse motivo, ele é também o mais visitado do PETAR.

A seguir, confira as principais atrações:

Caverna de Santana

É tão grande que até hoje não foi totalmente mapeada e, não a toa, é reconhecida como uma das mais lindas do núcleo. O diferencial dessa caverna é que ela é pouco mais acessível que as demais, já que possui pontes e escadas no caminho. Além disso, o seu interior possui uma iluminação bem bacana.

Caverna do Morro Preto

Possui uma linda entrada e o seu interior abriga marcas que provam o uso de tal caverna como moradia em tempos remotos. Inclusive, há um cemitério indígena ao lado. Assim como acontece na Caverna de Santana, ainda não é possível explorar toda a sua extensão.

Caverna do Couto

Possui uma entrada bem estreita, o que a torna bastante diferente das demais. A melhor parte é o jardim que se forma no final, além da cachoeira de mesmo nome que, apesar de pequena, possui uma piscina natural para banho.

Trilha do Betari

Esse provavelmente foi o trajeto que eu mais gostei de todo o PETAR. O caminho é formado por um deck que margeia o rio de mesmo nome e dá acesso à Caverna Água Suja e duas lindíssimas cachoeiras, a do Betarzinho/Beija-flor e a Andorinhas. É um passeio completo e cheio de lindas paisagens e aventuras durante o percurso.

Além dessas atrações, aproveite para conhecer a Piscina Natural do Betari. É uma ótima opção para relaxar depois da caminhada. Se possível também conheça o Mirante Santana, que possui uma linda vista das montanhas.

Núcleo Ouro Grosso

Caverna do Ouro Grosso - o que fazer no PETAR

Foto: Caverna do Ouro Grosso por Rodrigo Tetsuo Argenton, via Wikimedia Commons

O Núcleo também é usado como área administrativa do PETAR e, por isso, possui estrutura para palestras e reuniões.

O acesso é feito pela Rodovia SP-165 e, pela proximidade do centro turístico, também é um dos mais visitados. Vamos conferir as atrações?

Trilha da Figueira

Para chegar à primeira caverna, a trilha é razoavelmente fácil. Pois, apesar das subidas e trechos estreitos, são apenas 200 metros de caminhada e sem a obrigatoriedade de um guia.

Caverna do Ouro Grosso

Infelizmente não é possível conhecer toda a parte catalogada da caverna, somente os primeiros 200 metros. Ainda assim é uma enorme aventura, já que a passagem é bem estreita e você precisará passar pela água extremamente gelada para chegar ao final. Apesar disso, existe uma cachoeira dentro da caverna, que sem dúvidas é a parte mais interessante do local.

Caverna do Alambari de Baixo

Cheia de fendas que permitem a passagem dos raios solares e a formação de um lindo visual. Parte do percurso também será por dentro da água.

Casa de Farinha

Uma casinha antiga característica da região abriga o museu sobre a produção de farinha de mandioca. Esse é um passeio cultural e histórico que conta um pouco sobre a vida dos antigos moradores.

Núcleo Casa de Pedra

Esse é o único Núcleo do PETAR que não cobra ingresso entrada. Por outro lado, apesar de possuir a caverna com o maior pórtico do mundo (a própria Casa de Pedra), é o Núcleo com menos atrações. Não acredito que valha a pena conhecê-lo se a sua visita ao PETAR for de menos de uma semana.

Pra quem tiver interesse, saiba que ainda não é possível o interior da Casa de Pedra, mas dá pra fazer uma trilha até o seu pórtico. São cerca de 3h de caminhada e o acompanhamento de um monitor é obrigatório.

Quilombo de Ivaporunduva:

Esse é um passeio pouco explorado no PETAR, mas que apresenta uma gama de cultura incrível. Existe um roteiro completo preparado pelo Quilombo de Ivaporunduva, que vai desde atividades em meio à natureza à participação a palestras, oficinas temáticas e refeição a base de alimentos orgânicos produzidos no local.

O Quilombo de Ivaporunduva fica no Município de Eldorado, na SP 165. Você pode conhecer mais sobre ele e o programa de visitação no seu site oficial.

DICAS PARA A SUA VISITA AO PETAR

Apesar da quantidade de atrações, tenha a certeza de que não listamos nem metade das opções do que fazer no PETAR. Essa é apenas uma amostragem das atividades mais famosas, afinal existem quase 400 cavernas catalogadas, sem contar as trilhas, cachoeiras e demais atrações.

Por isso, o mais importante é encontrar um bom guia, que conheça bastante a região e saiba conduzir os passeios mais interessantes durante a viagem, levando sempre em conta o seu perfil e preferências.

Além disso, prepare-se bem para a viagem: leve repelentesapatos adequados para andar entre os riachos e lagos no interior das cavernas e, se possível, uma mochila impermeável. Esse último item fez falta na minha viagem, já que em algumas das cavernas é um sacrifício manter os pertences no alto para não molhar!

Sobre as roupas, é importante saber que, por questão de segurança, é obrigatório usar calças e camisetas de manga em todos os Núcleos do PETAR. Mas procure usar peças leves e de rápida secagem. Quanto ao tênis, melhor levar dois para garantir que eles sequem entre um passeio e outro.

E por fim, mas não menos importante, leve sempre lanches e água nos passeios. Como não existem lanchonetes ou restaurantes dentro dos Núcleos do PETAR, é melhor garantir a comida do dia todo.

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