TOPO

“O que fazer na Albânia: 12 destinos incríveis para incluir no roteiro”


Engana-se quem pensa que a lista do que fazer na Albânia se resume a alguns poucos destinos. Localizado na Península Balcânica, entre montanhas imponentes e as águas cristalinas dos mares Jônico e Adriático, o país surpreende pela combinação de paisagens naturais, cidades históricas e um povo genuinamente hospitaleiro.

Em outras palavras, montar um roteiro pela Albânia pode ser mais desafiador do que parece.

Durante décadas, o país viveu completamente isolado sob o regime comunista de Enver Hoxha, período que deixou marcas profundas em sua história e contribuiu para preservar muitos aspectos de sua identidade cultural. Com a abertura ao turismo a partir dos anos 1990, a Albânia passou a despertar o interesse de viajantes em busca de destinos autênticos e, hoje, desponta como um dos lugares mais promissores da Europa.

Neste guia, vou ajudar você a decidir o que fazer na Albânia, reunindo alguns dos principais destinos do país em uma seleção que combina história, cultura, montanhas e praias incríveis. Dos lugares mais famosos às regiões ainda pouco exploradas, estas sugestões vão facilitar a criação de um roteiro diverso e cheio de contrastes.

O QUE FAZER NA ALBÂNIA: 12 DESTINOS INCRÍVEIS PARA INCLUIR NO ROTEIRO

Antes de mergulhar na lista de o que fazer na Albânia, vale destacar: o grande charme do turismo no país está na diversidade.

Em poucas horas, o cenário muda completamente, indo de montanhas a vilarejos de pedra e de sítios arqueológicos a praias de águas cristalinas. Aqui, o deslocamento faz parte da experiência.

Para aproveitar ao máximo essa diversidade, vale a pena se planejar com antecedência. Nosso artigo com dicas da Albânia reúne informações essenciais para organizar a viagem.

Agora, vamos aos principais destinos para visitar no país:

1. Tirana

Museu Nacional de História em Tirana, Albânia

Museu Nacional de História | Foto: Douglas O via Unsplash

Capital e maior cidade da Albânia, Tirana costuma ser o primeiro contato do turista com o país. Apesar de não seguir o padrão estético de outras cidades europeias — muito por conta da forte influência comunista em sua arquitetura, com poucos remanescentes otomanos —, vale a pena a visita para entender o país antes de seguir viagem.

Além disso, basta caminhar por suas ruas para perceber uma atmosfera criativa, com cafés modernos e uma vida cultural vibrante, impulsionada por estudantes, artistas e empreendedores que vêm reinventando o lugar.

Visitar a Praça Skanderbeg, que homenageia o herói nacional de mesmo nome, é essencial para quem busca conhecer o passado albanês. Foi nesta praça que, em 1991, teve início a democratização do país, quando uma multidão derrubou a estátua do ditador. Coração da cidade, a praça abriga museus, mesquitas e prédios governamentais que contam diferentes capítulos da história albanesa.

Para quem quer uma visão geral da longa e conturbada história do país, indico uma visita ao Museu Nacional de História, maior e mais importante da cidade. O museu retrata desde os tempos pré-históricos até a ditadura comunista e as revoltas dos anos 1990.

E, para uma imersão ainda mais profunda no passado recente, o museu Bunk’Art, localizado dentro de um bunker construído como abrigo nuclear, oferece uma experiência impactante sobre o período de isolamento.

Por fim, outro destaque é o bairro Blloku, que durante o comunismo era restrito à elite política e hoje concentra bares, restaurantes e cafés descolados. É o lugar perfeito para observar o estilo de vida contemporâneo de Tirana.


Leia também:


2. Krujë

Panorama do Castelo de Krujë, na Albânia

Foto: B via Unsplash

A menos de uma hora de Tirana, Krujë tem papel fundamental na história da Albânia. Foi ali que o herói nacional Skanderbeg liderou a resistência contra o Império Otomano entre 1443 e 1468.

Durante esses 25 anos, ele conseguiu unificar os príncipes albaneses e transformar o Castelo de Krujë em uma fortaleza intransponível, repelindo com sucesso o exército otomano. Krujë era, essencialmente, o coração da resistência cristã nos Bálcãs.

A cidade preserva um charme histórico, com seu bazar tradicional e o castelo que domina a paisagem. É um destino ideal para um bate-volta saindo de Tirana.

Uma vez na cidade, não deixe de explorar o bazar otomano e visitar o castelo e seus importantes museus, principalmente o Museu Nacional Gjergj Kastrioti Skanderbeg, onde você fará uma jornada imersiva pela história medieval do país.

3. Berat

Casas típicas do Bairro Mangalem, em Berat, Albânia

Bairro Mangalem | Foto: RossHelen

Caminhar pelas ruas de pedra de Berat dá a sensação de entrar no período medieval. Conhecida como a “cidade das mil janelas”, é um dos destinos mais encantadores da Albânia.

Suas casas brancas empilhadas nas encostas da montanha têm janelas grandes e alinhadas que criam um efeito quase simétrico e a impressão de que a cidade inteira te observa.

No alto, Kalaja, um dos últimos castelos habitados da Europa, tem moradias, hotéis, comércios, cafés, restaurantes, igrejas bizantinas, assim como uma vista panorâmica de todo o vale do Rio Osum.

Durante a Idade Média, essa região passou pelas mãos do Império Bizantino, viu disputas entre reinos vizinhos e, mais tarde, sentiu a chegada do Império Otomano. A cidade revela ainda uma convivência histórica entre diferentes religiões, com igrejas e mesquitas lado a lado, e é um daqueles lugares que misturam beleza estética e profundidade cultural.

Reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade, impressiona à primeira vista e segue a vida em um ritmo que parece ignorar o tempo.

Entre as experiências imperdíveis de Berat, está passear pelo bairro histórico de Mangalem, visitar igrejas e mesquitas antigas, admirar o pôr do sol sobre o Rio Osum e atravessar a histórica Ponte Gorica.


Leia também:


4. Korçë

Imagem panorâmica da cidade de Korçë, na Albânia

Foto: Adventure Albania via Unsplash

Ainda pouco explorada pelos turistas, Korçë é conhecida por sua arquitetura elegante com forte influência europeia, por ser a cidade dos intelectuais e pela forte cena gastronômica.

É o tipo de cidade onde a experiência passa, inevitavelmente, pela mesa: Korçë é considerada um dos melhores lugares do país para explorar a gastronomia local, entre receitas tradicionais e um toque contemporâneo.

No inverno, a região ganha ainda mais charme com temperaturas mais baixas e um clima aconchegante.

5. Gjirokastër

Castelo de Gjirokastër, na Albânia

Foto: Drini Teta via Unsplash

Assim como Berat, Gjirokastër é também uma cidade medieval reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Enquanto em Berat o que domina a paisagem são as casas brancas na encosta, em Gjirokastër seu castelo predomina e se impõe sobre a cidade.

Com uma atmosfera mais densa e austera, é conhecida como a “cidade de pedra”, marcada por casas robustas com telhados de ardósia e ruas íngremes de paralelepípedo que criam uma paisagem cinematográfica.

A cidade também é interessante do ponto de vista histórico e político: ali nasceu Enver Hoxha, o ditador comunista que isolou a Albânia durante décadas, e na cidade há lugares que ajudam a compreender melhor esse período. Além disso, é também o berço de Ismail Kadare, o maior escritor do país e um dos europeus mais lidos de sua geração.

Explorar o bazar tradicional nas ruas próximas ao castelo, entrar em casas otomanas preservadas, apreciar as vistas panorâmicas e simplesmente caminhar sem rumo são experiências que fazem de Gjirokastër um dos destinos mais instigantes do país.

6. Riviera Albanesa

Praia de Ksamil, na Riviera Albanesa

Ksamil | Foto: Yuriy Brykaylo

Se existe um lugar capaz de explicar por que o turismo na Albânia vem crescendo tão rápido, esse lugar é a Riviera Albanesa. Ao longo da costa do Mar Jônico, o cenário parece quase improvável: águas em tons de azul-turquesa, faixas de cascalho branco e montanhas que despencam em direção ao mar.

É o tipo de paisagem que rivaliza com alguns dos destinos mais famosos da Europa, mas com uma diferença importante, já que, na Albânia, tudo ainda parece mais autêntico, menos explorado.

Dirigindo pela estrada costeira, cada curva revela um novo enquadramento. Em vilarejos como Dhërmi e Himarë, por exemplo, o mar é tão transparente que parece exagero. Entre falésias, pequenas praias escondidas e casas espalhadas pelas encostas, a sensação é de estar descobrindo um segredo ainda pouco compartilhado.

Mais ao sul, Ksamil costuma roubar a cena. Frequentemente comparado ao Caribe, o lugar impressiona pelas águas rasas em tons quase irreais, assim como pelas pequenas ilhas que podem ser alcançadas a nado.

No auge do verão, a vila se transforma com praias cheias, música e movimento. Mas basta a temporada passar para que tudo desacelere. No inverno, o silêncio volta a dominar e o céu estrelado reaparece, como se o lugar respirasse novamente.

Apesar de cada vez mais popular, a Riviera Albanesa ainda guarda um certo equilíbrio. Os preços são mais acessíveis do que em destinos vizinhos, a infraestrutura cresce a cada ano e o charme local resiste, embora isso esteja mudando rapidamente.

7. Saranda

Imagem panorâmica de Saranda, Riviera Albanesa

Foto: Karol Chomka via Unsplash

À primeira vista, Saranda pode parecer apenas mais uma cidade litorânea. Mas basta algumas horas para perceber que ela é o coração pulsante do sul da Albânia e uma ótima base para explorar a Riviera Albanesa.

De frente para o mar e com vista direta para a ilha grega de Corfu, Saranda tem um ritmo próprio. Durante o dia, o azul do Mar Jônico domina tudo: barcos indo e vindo, pessoas espalhadas pelas pequenas praias urbanas, o calor convidando a desacelerar.

Mas é no fim da tarde que a cidade realmente se revela. À medida que o sol começa a descer, o calçadão à beira-mar ganha vida – onde, inclusive, o pôr do sol é imperdível. Cafés se enchem, bares começam a tocar música e a cidade assume uma energia quase contagiante.

A partir de Saranda, tudo parece perto. Em pouco tempo você chega a Ksamil ou ao sítio arqueológico de Butrint. Logo acima de Saranda, as ruínas de uma antiga Sinagoga revelam vestígios da presença judaica que remonta à Antiguidade.

E, a poucos quilômetros dali, o surpreendente Blue Eye (Syri i Kaltër) surge como um dos fenômenos naturais mais impressionantes da Albânia: uma fonte de água cristalina em tons profundos de azul.

Em outras palavras, Saranda funciona como base: organizada, bem estruturada e estrategicamente posicionada para explorar os principais cenários do sul da Albânia.

8. Butrint

Teatro romano do sítio arqueológico de Butrint

Foto: Marie Volkert via Unsplash

A poucos quilômetros de Saranda, a paisagem começa a mudar: o mar vai ficando para trás, a estrada se estreita e o verde toma conta. É nesse cenário que surge Butrint, um dos lugares mais surpreendentes da Albânia.

À primeira vista, parece apenas um sítio arqueológico. Mas, conforme você avança, percebe que ali não existe uma única história, existem várias, sobrepostas.

Butrint já foi uma cidade próspera, habitada e transformada ao longo dos séculos por diferentes civilizações: gregos, romanos, bizantinos e venezianos deixaram suas marcas, que atualmente coexistem em meio a uma paisagem quase intocada. Não é à toa que o local foi reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Caminhar por ali é uma experiência reveladora. Você sai de um teatro romano ainda bem preservado, atravessa caminhos cercados por árvores e chega a muralhas antigas ou aos vestígios de uma basílica.

Butrint oferece uma experiência única para quem gosta de história que te permite descobrir, sem pressa, vestígios de diferentes épocas e culturas.

9. Shkodër

Imagem panorâmica de Shkodër, na Albânia

Foto: Adventure Albania via Unsplash

No extremo norte da Albânia, a poucos quilômetros da fronteira com Montenegro, Shkodër surge com um ritmo diferente.

Com cerca de 130 mil habitantes, as ruas são tomadas por bicicletas que passam tranquilas entre cafés, casas coloridas e pequenos ateliês, em uma cadência mais desacelerada, em contraste com outros destinos mais turísticos.

É também uma das cidades mais antigas do país e tem uma atmosfera bem diferente do restante da Albânia: mais ligada às tradições, à arte e à natureza.

É, por exemplo, referência na música albanesa, com uma identidade própria, distinta do sul do país, marcada pela forte presença vocal, pelo uso de instrumentos tradicionais e por canções líricas mais melancólicas e profundas que ecoam pelas ruas.

Dos registros históricos preservados no Museu Nacional de Fotografia Marubi aos teatros, ateliês e pequenas galerias, tudo parece contribuir para uma identidade artística viva.

No alto de uma colina, o Castelo Rozafa observa tudo. De lá, a vista se abre para rios, montanhas e o vasto Lago Shkodër, criando uma paisagem que mistura força e silêncio.

Ao mesmo tempo, Shkodër é um ponto de partida. É dali que muitos viajantes seguem rumo aos Alpes Albaneses, uma das regiões mais impressionantes do país. A cidade funciona como esse meio-termo curioso, entre a arte e a natureza, entre o cotidiano e a aventura. E talvez seja justamente isso que a torna especial.

10. Lago Komani

Imagem panorâmica do Lago Komani, na Albânia

Foto: Viator

O Lago Komani é frequentemente comparado a fiordes noruegueses e não é exagero.

Montanhas íngremes mergulham diretamente na água esverdeada, formando corredores naturais que se prolongam em silêncio. A cada curva, novos recortes de montanhas, pequenas casas isoladas e trechos onde a natureza parece completamente intocada.

É uma experiência ainda pouco explorada e visualmente impressionante, cuja sensação de isolamento muda o ritmo da viagem.

Por lá, o turista pode fazer o passeio de barco pelo lago (travessia entre Komani e Fierza), fotografar paisagens de aparência quase surreal, bem como sentir o isolamento e a natureza selvagem.

11. Theth

Turistas caminhando em Theth, na Albânia

Foto: Adventure Albania via Unsplash

Para quem busca natureza, aventura e isolamento, Theth é um verdadeiro refúgio. Localizada nos Alpes Albaneses, a pequena vila é cercada por paisagens intocadas compostas por montanhas, trilhas e cachoeiras.

A viagem até lá é cheia de paisagens maravilhosas, com montanhas íngremes que enchem os olhos e proporcionam lindas fotos.

Em Theth, tudo é mais simples. Casas de pedra espalhadas pelo vale, trilhas que começam sem aviso e o som constante da água correndo pelas montanhas. É o tipo de lugar onde você troca o conforto previsível por uma experiência mais autêntica.

Hospedar-se ali é parte essencial da viagem. Muitas das acomodações são casas de família, onde moradores recebem viajantes como convidados. Entre refeições caseiras, histórias locais e um ritmo desacelerado, a experiência vai muito além da paisagem.

Entre as principais experiências para se viver em Theth estão fazer a trilha até a Cachoeira de Grunas, se deslumbrar com o Blue Eye Kaprre, visitar a igreja da vila, conhecer a torre de confinamento que conta a história local e percorrer a travessia até Valbona.

12. Valbona

Turista em trilha de Valbona, na Albânia

Foto: Adventure Albania via Unsplash

Depois da intensa caminhada pelas montanhas de Theth, é no Vale de Valbona que a paisagem se abre e muda completamente. Os picos continuam ali, imponentes, mas dão lugar a vales mais amplos, rios cristalinos e trilhas que parecem se perder no horizonte.

Percorrer a travessia entre Theth e Valbona, atravessando as montanhas que conectam os dois vilarejos, é considerado um dos trekkings mais bonitos dos Bálcãs. São cerca de 20 km classificados como de nível moderado de dificuldade.

No fim, Valbona não substitui Theth. Ela complementa. E, juntas, as duas revelam uma das faces mais intensas e preservadas da Albânia.

CONHEÇA A ALBÂNIA!

A Albânia ainda parece estar se revelando ao mundo e, em um mesmo roteiro, você atravessa séculos de história, mergulha em paisagens naturais quase intocadas e encontra praias que rivalizam com destinos muito mais famosos.

Vale apostar nessa mistura: um pouco de cultura, de aventura, de cotidiano local e de mar. Porque a Albânia não se resume a uma experiência só, e é justamente isso que a torna tão especial. Além disso, os preços costumam ser mais acessíveis do que em outros destinos europeus e, por enquanto, as multidões ainda não chegaram com força total.

Mas é bom ir preparado: o turismo está se desenvolvendo e os deslocamentos podem ser, em alguns momentos, um tanto caóticos. Faz parte do pacote de um destino que ainda está encontrando seu ritmo.

E, mesmo com alguns problemas, há algo familiar na forma como as pessoas recebem, um calor humano que lembra muito o jeito mineiro de ser. Entre uma refeição compartilhada e uma conversa despretensiosa, a Albânia deixa de ser apenas um destino e passa a ser um lugar onde, de alguma forma, você se sente em casa.

Você sabia?

O Viaja que Passa ganha uma pequena comissão a cada reserva que você faz através dos links dos nossos parceiros. Você não paga nada a mais por isso e nos ajuda a continuar publicando conteúdos autorais e imparciais para ajudar na sua viagem!

Tags:

«
»