Com um centro histórico construído literalmente dentro de um palácio imperial romano, um mar tão azul que é difícil de acreditar, dezenas de ilhas e parques nacionais a uma curta distância… tudo isso pode tornar um tanto difícil decidir o que fazer em Split, principalmente quando o tempo é curto (e quase sempre é!).
A verdade é que Split é um dos principais pontos de partida e uma excelente base para quem quer conhecer o litoral dalmático, que, dizem, tem as águas mais limpas e quentinhas do Adriático (só não espere a “mornura” das praias brasileiras).
O primeiro passo do planejamento deve ser definir o que você vai fazer antes ou depois de conhecer Split, porque isso também definirá quanto tempo ficar e o que dá para fazer usando a cidade como base.
Neste guia, o meu objetivo foi tentar organizar o máximo de informações úteis do destino para que essa organização fique muito mais fácil. Aqui, você encontrará dicas de hospedagem, locomoção, atrações e muito mais! Ao final, você também confere um mapa das atrações, que vai facilitar a logística, e uma sugestão de roteiro para 1, 2 ou 3 dias, dependendo do tempo que você tem disponível e dos seus interesses pessoais!
ONDE FICA E COMO CHEGAR EM SPLIT?
Split fica no litoral da Dalmácia, no sul da Croácia, banhada pelo Mar Adriático. A cidade está estrategicamente posicionada entre as montanhas escarpadas do interior e o arquipélago de ilhas que pontilha o Adriático. Isso a torna não apenas um destino espetacular em si, mas também um excelente ponto de partida para explorar essa parte da Croácia.
O Aeroporto Internacional de Split é o segundo mais movimentado da Croácia e recebe voos diretos das principais capitais europeias, especialmente durante a alta temporada, entre maio e outubro.
Vale a pena pesquisar também voos para os aeroportos de Dubrovnik, a 230 km, e Zagreb, a 400 km. Às vezes, eles saem mais em conta e, de quebra, permitem conhecer outras partes da Croácia pelo caminho.
Como ir do Aeroporto Internacional de Split ao centro da cidade
O novíssimo Aeroporto Internacional de Split (SPU) fica a cerca de 25 km da Cidade Antiga de Split, o miolo turístico do destino.
O trajeto leva até uma hora, dependendo do trânsito, e pode ser feito com o ônibus executivo da Platanus (€ 10), ônibus de linha (€ 3 a bordo, em espécie), táxi ou carros de aplicativo (Uber e Bolt).
De toda forma, vale saber que a Cidade Antiga de Split é pedonal. Ou seja, caso você se hospede por lá, provavelmente terá que fazer o percurso final a pé. Antes de chamar um táxi ou carro de aplicativo (que inclusive foi a minha escolha ao chegar pelo Aeroporto de Split), confira qual é o portão de entrada mais próximo do seu hotel.
Como ir de Dubrovnik a Split
Partindo de Dubrovnik, é possível fazer o trajeto até Split de ferry, com a TP Line ou a Krilo Kapetan Luka, ou de ônibus, com a FlixBus ou a Arriva. Todas as alternativas levam pouco mais de 4 horas. Não existe conexão ferroviária para essa rota – na verdade, as ligações de trem na Croácia são bastante limitadas.
Outra opção interessante é alugar um carro e ir parando nos deslumbrantes destinos costeiros da Croácia. O único ponto de atenção é que, dada a geografia do país, é difícil montar um roteiro circular. Isso significa que, caso você decida percorrer a costa de norte a sul, ou vice-versa, terá que pagar uma taxa extra para devolver o veículo em outra localidade ou fazer todo o percurso de volta até o local de retirada.
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Como ir de Zagreb a Split
Para ir de Zagreb a Split usando o transporte público, a melhor opção são os ônibus da Arriva, FlixBus e Promet Makarska, com trajetos que duram cerca de 5 horas.
Até existem trens que operam essa rota, mas, além de serem pouco frequentes, a viagem é bem mais demorada, durando por volta de 8 horas.
Caso você decida fazer o trajeto de carro, vale considerar uma parada no incrível Parque Nacional dos Lagos de Plitvice (reserve pelo menos meio dia para a visita). Assim, o deslocamento já vira um belo passeio.
COMO SE LOCOMOVER EM SPLIT
Split é uma cidade para ser percorrida a pé, e isso não é força de expressão. A Cidade Antiga, onde ficam o Palácio de Diocleciano e a grande maioria das atrações históricas, é completamente pedonal. Nem mesmo moradores entram de carro ali (as vielas estreitas e eventuais degraus também não permitiriam).
Para quem pretende visitar as praias de Split (à exceção da Bačvice Beach, que fica muito próxima ao Centro Histórico), a boa notícia é que elas podem ser alcançadas de ônibus ou Uber/Bolt. O mesmo vale para a lindíssima cidade histórica de Trogir, que, além de ter um bom acesso terrestre, também costuma fazer parte do itinerário de alguns passeios de barco.
Já para chegar às ilhas dálmatas mais próximas, como Hvar e Brač, você pode apostar nos ferries ou em passeios de barco. Ambos partem de pontos próximos à Riva, logo em frente ao centro histórico.
Em resumo, o transporte não será um problema em Split. Ouso dizer, inclusive, que alugar um carro aqui pode mais atrapalhar do que ajudar.
QUANTOS DIAS FICAR EM SPLIT?
Definir quantos dias ficar em Split depende menos do que tem para fazer lá e mais do que você está buscando na viagem.
Se você tiver apenas 1 dia, conseguirá visitar todo o centro histórico com calma, passear pela Riva e, dependendo do seu ritmo e ânimo, dar um pulo em uma das praias de Split.
Se você tiver 2 dias em Split, além de explorar o centro histórico sem pressa (inclusive à noite, quando o visual muda completamente), ainda terá tempo pra fazer um passeio de barco ou pegar um ferry para passar o dia em Hvar ou Brač. Outra opção é curtir um dia inteiro de praia na própria Split.
Já com 3 dias em Split (ou mais), dá até pra usar a cidade como base para um bate-volta. As minhas sugestões são os Parques Nacionais de Krka ou de Plitvice (falo sobre a logística em detalhes mais adiante). Mas se quiser ficar mais tranquilo, a própria Split tem lugares interessantes fora do miolo turístico para preencher o roteiro.
E se você ficou confuso com tantas opções, não se preocupe. Ao final do artigo deixo um guia detalhado do que incluir em cada dia de roteiro em Split para você adaptar conforme o seu tempo e prioridades.
ONDE SE HOSPEDAR EM SPLIT

Rua Marmotova, a principal via comercial de Split
Para quem quer fazer tudo a pé, a Cidade Velha é certamente a melhor região para se hospedar em Split. Ela é dominada pelo Palácio de Diocleciano, que não é um palácio tradicional como se poderia esperar, mas um grande conglomerado de construções de origem romana que hoje abriga de monumentos históricos a ruas, casas, hotéis, lojas e restaurantes. Logo em frente está a Riva, o calçadão à beira-mar de onde partem a maioria dos passeios de barco e de onde é possível alcançar, em uma curta caminhada, o terminal de ferries.
No entanto, é importante saber que essa é uma área exclusivamente pedonal, não sendo permitida a circulação de carros.
Para quem não vai alugar um carro, esse detalhe está longe de ser um problema. Mas se você chegar a Split motorizado, pode ser uma boa ideia se hospedar fora da Cidade Velha, a uma distância que ainda permita se deslocar a pé. Essa também é uma boa opção para quem quer economizar, já que o centro histórico concentra tarifas mais altas.
Outra alternativa é se hospedar próximo às praias, como a Bačvice, mais perto do centro, ou as Žnjan e Trstenik, mais afastadas. Na minha opinião, essa é uma escolha que só faz sentido para quem quer passar seus dias em Split no mar ou aproveitar uma estrutura hoteleira maior e mais completa, sabendo que ela é menos prática como base para o turismo padrão.
No meu guia de onde ficar em Split, exploro cada uma dessas áreas em detalhes. Mas, se a sua ideia é ficar perto de tudo, sem precisar depender de transporte no dia a dia, deixo aqui boas sugestões de hospedagem na Cidade Velha ou bem perto dela:
Econômico
Bom custo-benefício
Conforto
|
O QUE FAZER EM SPLIT: MELHORES ATRAÇÕES E PASSEIOS
Agora que já falamos da logística, vamos à parte que interessa: afinal, o que fazer em Split?
A seguir, reuni tudo o que eu incluiria em um roteiro pela cidade, desde as atrações do centro histórico até praias, passeios de barco e bate-voltas que realmente valem a pena. Assim, você consegue adaptar o planejamento ao seu ritmo, seja se tiver apenas algumas horas para explorar Split ou alguns dias para conhecê-la com mais calma. Ao final, também compartilho minhas sugestões de roteiro para 1, 2 ou 3 dias.
Palácio de Diocleciano
O Palácio de Diocleciano é, definitivamente, a principal atração de Split. Construído entre o fim do século III e o início do IV para ser a residência de aposentadoria do imperador romano Diocleciano, ele é um dos conjuntos de arquitetura romana mais bem preservados do mundo (dizem que só perde para Roma, embora esse não pareça ser um dado oficial).
Mas, antes mesmo de visitá-lo, você vai entender que ele não é uma residência imperial convencional, como muita gente imagina. O que se entende por palácio, na verdade, é um grande complexo que reunia não só os aposentos do imperador, mas também fortaleza, templos, banhos e espaços para os soldados e funcionários.
O que aconteceu é que, séculos mais tarde, pessoas comuns passaram a ocupar o complexo e adaptar seus edifícios para moradia, transformando o Palácio de Diocleciano no que hoje entendemos como Cidade Velha ou Centro Histórico de Split. Ou seja, o palácio é a própria cidade. Dentro de suas muralhas milenares, bares, restaurantes, lojas, casas e hotéis funcionam normalmente.
A principal atração aqui é se perder pelas vielas e becos de pedra sem um destino definido, olhar as vitrines e tomar um gelato sem pressa. Em poucas horas, você terá passado por praticamente todas as ruas do complexo.
Mas, se quiser se aprofundar na história, na arte e nas curiosidades do Palácio de Diocleciano, há algumas atrações que valem visitar. Aqui, falo das principais:
Peristilo

Todos a postos para o teatrinho de Diocleciano
O Peristilo é o coração do Palácio de Diocleciano e, podemos dizer assim, a sua principal “praça”. Na época romana, era ali que o imperador aparecia diante de seus súditos, recebia visitantes importantes e fazia cerimônias públicas.
Rodeado por colunas coríntias e pelas fachadas de alguns dos edifícios mais importantes do complexo, vale perder um tempo admirando a arquitetura, que é realmente impressionante. Não deixe de reparar na esfinge egípcia de granito em frente ao Campanário da Catedral de São Dômnio (à esquerda na foto).
Nos meses de verão (geralmente de maio a setembro), todos os dias ao meio-dia, o espaço ganha uma pequena encenação com atores vestidos como o imperador Diocleciano, sua esposa Prisca e guardas romanos. É uma atração rápida e bem turística (a praça fica lotada!), mas, se você estiver por ali na hora, não custa dar uma olhada.
| Dica: se você se interessa por história, considere também fazer este free walking tour com um guia local pelas áreas do palácio. O tour leva 1h30, acontece em inglês e espanhol e passa pelos principais edifícios e monumentos do Palácio de Diocleciano. Ele é gratuito, mas gorjetas são esperadas. |
Vestíbulo

O que sobrou da cúpula do Vestíbulo
Em uma das extremidades do Peristilo está o Vestíbulo, a antiga entrada dos aposentos privados de Diocleciano. O curioso é que, embora seja quadrado por fora, o interior é circular. Originalmente, o espaço era coberto por uma cúpula, que não existe mais, e hoje há um buraco aberto para o céu – me pareceu uma versão menor e bem mais rudimentar do Panteão de Roma.
Em uma das vezes que passei por ali, havia artistas de rua entoando cânticos tradicionais da Dalmácia. Pelo que li, apresentações como essa são bastante comuns no Vestíbulo.
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Catedral de São Dômnio e Campanário

Campanário da Catedral de São Dômnio (repare na esfinge logo em frente)
De frente para o Peristilo, a Catedral de São Dômnio detém o nada modesto título de “edifício mais antigo do mundo a funcionar como uma catedral católica”, embora não tenha nascido com esse propósito.
Na verdade, o edifício octogonal foi construído para ser o mausoléu do próprio imperador Diocleciano e receber seus restos mortais após a sua morte. E, de fato, cumpriu essa função até que, com a ascensão do cristianismo, o sarcófago e o corpo do imperador foram removidos (não se sabe que fim levaram) para dar lugar aos de São Dômnio, padroeiro de Split.
Com a conversão do Império Romano ao cristianismo, o espaço foi transformado em catedral. E a grande irônia é que São Dômnio, a quem a catedral é dedicada, foi perseguido, martirizado e morto a mando do próprio Diocleciano. Ou seja, o mausoléu que o imperador construiu para si acabou se tornando um templo dedicado a uma de suas vítimas.
Logo ao lado da catedral fica o Campanário, este mais novo, de origem medieval. Com 57 metros de altura, é o edifício mais alto do centro histórico e garante uma bela vista da cidade e da baía. Mas vale saber que a subida envolve encarar 314 degraus em uma escadaria semi-suspensa de metal. Não é para quem tem medo de altura!
Os ingressos para a Catedral e para a Torre Sineira são vendidos separadamente ou em combos, que também podem incluir outras atrações do complexo, como o Templo de Júpiter (Batistério), a sala do Tesouro e a Cripta. Individualmente, a entrada para a Catedral custa €5, e a subida à torre, €7.
Portão Dourado e a estátua de Grgur Ninski

Lado de fora do Portão Dourado e a estátua de Grgur Ninski
As muralhas do Palácio de Diocleciano têm quatro portões originais: Dourado, Prata, Bronze e Ferro. Se você estiver em dúvida se está ou não dentro do complexo, é só se localizar por eles. Isso também ajuda a planejar os deslocamentos, já que dos portões para dentro, a área é exclusivamente pedonal.
Dos quatro acessos, o Portão Dourado, ao norte, era a entrada mais importante e imponente do Palácio de Diocleciano. O nome não tinha nada a ver com o material de construção, mas com a sua simbologia, já que era por ali que o imperador chegava.
Mas o mais legal é que, logo do lado de fora, você dá de cara com uma estátua gigantesca (e bem mais moderna) de Grgur Ninski. A obra é do escultor Ivan Meštrović, um dos artistas mais importantes da história da Croácia, e representa um bispo medieval que defendeu o direito de celebrar missas em eslavo eclesiástico, em vez de apenas em latim, tornando os ritos mais acessíveis para a população local.
Segundo a tradição, esfregar o dedão do pé da estátua traz boa sorte. Não sei se funciona, mas ele já está bem gasto de tanto turista tentando garantir a sua.
Estruturas subterrâneas do Palácio de Diocleciano

Estruturas subterrâneas do Palácio de Diocleciano
Partindo do Vestíbulo em direção à Riva e ao Portão de Bronze, você passará pelas estruturas subterrâneas do Palácio de Diocleciano (Dioklecijanovi Podrumi).
Essas subestruturas são grandes salas de pedra com abóbadas, construídas para sustentar os aposentos imperiais que ficavam logo acima delas, e uma grande parte é aberta à visitação.
Como a área foi preenchida e usada como depósito de lixo durante séculos, sua estrutura romana acabou muito mais bem preservada do que a dos antigos aposentos de Diocleciano.
O corredor central tem acesso gratuito e, por vezes, muito movimentado, reunindo inclusive barracas de souvenires. Já as salas laterais são mais amplas e interessantes, mas pagas (€ 8) – vale a pena para quem realmente se interessa por história e arquitetura antiga.
| Para os fãs de Game of Thrones: algumas cenas das masmorras de Meereen, onde Daenerys mantinha Rhaegal e Viserion (quinta temporada), foram gravadas ali. |
Riva

O lindíssimo calçadão da Riva de Split (uma pena que a foto não consegue captar o mar, à esquerda, e as construções históricas, à direita)
A Riva é o calçadão à beira-mar que se estende ao sul do Palácio de Diocleciano. Para mim, é o lugar mais bonito e gostoso de Split, onde a monumentalidade dos edifícios históricos encontra o Adriático.
A atração ali é passear pelo calçadão sem muito propósito, a não ser admirar a paisagem. A Riva tem cerca de 250 m, estende-se por alguns quarteirões e reúne um jardim com flores e palmeiras super bem cuidadas, muitos bancos para um descanso nas horas mais quentes do dia e o cenário do mar azul cheio de barcos atracados.
Aliás, é da própria Riva que saem grande parte dos passeios de barco de Split, e os quiosques das empresas que os operam ficam ali, lado a lado. Mesmo assim, recomendo reservar o seu passeio online com antecedência, já que as opções em cima da hora ficam bem mais limitadas. Mais abaixo, deixo detalhes sobre o passeio que fiz.
A Riva também concentra uma fileira de bares e restaurantes com mesas nas calçadas, boa para quem quer almoçar vendo o mar. Mas já aviso: a Croácia, no geral, não é um país barato para comer, e a localização encarece o cardápio.
Continuando pela Riva em direção ao leste, você também chegará ao terminal de ferries, de onde saem as grandes embarcações para Hvar, Brač, Dubrovnik e outros destinos do Adriático.
Mercado Verde e Mercado do Peixe

Ala de roupas e souvenires no Mercado Verde de Split
Para quem gosta de visitar feiras e mercadões, há duas opções à mão na região do centro histórico de Split.
O primeiro, bastante famoso, é o Mercado do Peixe, a uma curta distância do Portão de Ferro. Como você pode imaginar, ele vende… peixes! Abre às 6h e é mais movimentado no início da manhã, quando os pescados chegam frescos do mar. Não é a minha praia (até porque sou vegetariana), mas pode valer a visita para quem, por acaso, decidir cozinhar durante a viagem. Não há barracas de comidas prontas nem nada que interesse a quem não quer vestir o avental.
Outro mercado, esse aberto, de rua, com barracas de lona e a bagunça típica das feiras livres, é o Mercado Verde. Ele fica imediatamente fora do Portão de Prata, perto do final da Riva, e tem foco em hortifrúti, mas é bem mais diversificado. Embora seja “o lugar” para quem quer cozinhar, ele também tem uma boa seleção de frutas frescas, como bandejas de cerejas suculentas para turistas mais preguiçosos como eu, além de queijos, frutas secas, mel, azeite, destilados e charcutaria.
Fora isso, o Mercado Verde também é um ótimo lugar para comprar souvenires, com preços geralmente melhores do que nas lojas do centro histórico. Ele funciona das 6h às 14h, mas esse não é bem um horário rígido, já que cada barraca fecha no seu tempo. De qualquer forma, é melhor visitar pela manhã.
Praias de Split

Praia de Bačvice, a mais próxima do centro de Split | Foto: Getty Images
Se você tem pouco tempo na Croácia e precisa escolher entre as praias de Split ou de alguma outra ilha, a minha recomendação é optar pela ilha. Veja, não é que as praias de Split não valem a pena, mas é que as ilhas da Croácia realmente oferecem uma beleza fora da curva.
Split é uma boa opção para quem busca uma praia um pouco mais urbana, ou quem sabe um hotel novo com estrutura completa em frente ao mar (algo mais difícil de encontrar em um lugar como Hvar, quanto menos sem desembolsar uma pequena fortuna).
Também pode ser boa para crianças, já que possui balneários mais tranquilos, e para quem tem um ritmo acelerado – dá pra fazer todo o centro histórico em uma manhã e aproveitar a tarde na praia, por exemplo.
Dito isso, caso sobre espaço para um mergulho em Split no seu roteiro, aqui vai um pequeno guia sobre as suas principais praias.
Principais praias de Split
- Bačvice: é a mais próxima do centro histórico, dá pra chegar em uma caminhada de menos de 20 min. Tem mar raso e areia (raridade), mas, por ser urbana e movimentada, seu visual não é tão espetacular quanto o de outras praias croatas. Tem bares nos arredores e serviço de praia;
- Kašjuni: é uma das praias mais bonitas de Split, na Península de Marjan. A praia de pedrinhas fica em uma enseada cercada pela vegetação, com mar transparente e um visual mais natural, mas ainda conta com bares e serviço de praia. Ela fica um pouco mais afastada do centro, mas dá pra chegar de ônibus, táxi/Uber ou carro;
- Trstenik: seguindo para leste, é uma praia ampla e tranquila, acompanhada por um longo calçadão. Fica perto de alguns hotéis com estrutura mais completa, como Radisson Blu (que também tem um beach club aberto a não hóspedes). Na praia, em si, a estrutura é mais limitada. Exige táxi ou Uber saindo do centro histórico.
- Žnjan: continuando a leste depois da Trstenik, tem uma orla revitalizada com bares, restaurantes, beach clubs, áreas esportivas e espaços para crianças. Não é a mais bonita, mas é a mais estruturada de Split e uma boa escolha para passar o dia inteiro na praia.
Trogir

Viela no centrinho histórico de Trogir
Para mim, uma visita a Trogir é parada praticamente indispensável em um roteiro por Split.
A pequena cidade fica a cerca de 27 km de Split e ocupa uma ilhota entre o continente e a ilha de Čiovo. Fundada pelos gregos e repleta de palácios, igrejas e uma fortaleza do período veneziano, seu centro histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO e é um charme só.
Em uma hora, você conseguirá caminhar por todas as ruelas, com paradas para fotos e um gelato. Mas também vale a pena estender o passeio para ficar ali com calma, tomar um coquetel no fim da tarde ou jantar à beira-mar, enquanto ouve o balanço da água e espia os superiates atracados na marina.
Você pode chegar à cidade de carro, já que, apesar de o centro histórico ficar em uma ilha, ele é conectado ao continente por uma ponte. Saindo de Split, o trajeto pode levar de 40 min até mais de 1 h, dependendo do trânsito, e há estacionamentos pagos antes da entrada do centro histórico. Também dá para ir de ônibus, pela linha 37, ou de táxi/Uber.
Mas, como eu mesma fiz, uma alternativa bem mais gostosa é chegar de barco. Muitos dos passeios de lancha que partem de Split e seguem para a Lagoa Azul ou para as ilhas próximas fazem uma parada em Trogir.
Passeio de barco

Parada para banho na lindíssima Blue Lagoon
Uma das experiências mais legais que você pode ter a partir de Split é explorar as ilhas do Adriático de barco. Aliás, sabia que a Croácia é uma superpotência no turismo náutico e concentra cerca de 40% de toda a frota mundial de embarcações de aluguel para turismo?
Diversas empresas oferecem embarcações privativas para aluguel, com ou sem skipper. Mas os passeios compartilhados também são muito populares e, na minha opinião, são a opção ideal para quem quer passar apenas algumas horas no mar, sem dor de cabeça.
Roteiros de barco mais populares saindo de Split
As opções de passeios de barco saindo de Split são muitas e variam conforme a empresa, o tempo e o que você quer conhecer. Mas, entre os itinerários mais populares, vale a pena olhar os seguintes:
- Tour das 3 Ilhas: costuma ser a opção mais curta, com cerca de 5 horas, e normalmente combina uma parada em Trogir com a Blue Lagoon (de Drvenik Veli) e alguma ilha ou baía nos arredores, como Šolta ou Čiovo. É um passeio mais tranquilo, bom para quem quer nadar, fazer snorkel e conhecer Trogir sem comprometer um dia inteiro do roteiro. Os itinerários mudam um pouco entre as empresas, então vale conferir se a parada em Trogir está incluída antes de reservar.
- Tour das 5 Ilhas: é o passeio mais completo e geralmente ocupa um dia inteiro. A rota mais clássica passa pela Blue Cave, em Biševo, por Vis, famosa por ter servido de cenário para o filme Mamma Mia, pela Blue Lagoon (de Budikovac), pelas ilhas Pakleni e por Hvar. É uma ótima escolha para quem tem poucos dias na Croácia e quer conhecer, de uma vez, alguns dos cenários mais bonitos do arquipélago, mas prepare-se para passar bastante tempo navegando.
Detalhes importantes e dicas:
Vale ressaltar que essas são as paradas mais comuns dos passeios de barco saindo de Split, mas não existe um itinerário fixo que seja seguido por todas as empresas. Ou seja, atente-se aos detalhes e às paradas antes de fazer a reserva.
A grande maioria dos passeios parte da Riva e pode ser contratada diretamente nos quiosques das empresas. Ainda assim, recomendo fortemente reservar online com antecedência. Tive a impressão de que o preço não muda, mas a disponibilidade, sim. Ou seja, deixando para a última hora, há grandes chances de você ficar sem escolha ou acabar em uma embarcação mal avaliada.
Outra dica é reservar um passeio com cancelamento gratuito, como os oferecidos na GetYourGuide, em que é possível cancelar com até 24 horas de antecedência, e ficar de olho na previsão do tempo. Assim, você consegue mudar os planos caso haja previsão de chuva ou ventos fortes.
Como, depois de Split, eu ainda passaria três dias em Hvar, que é uma das paradas do tour das 5 ilhas, decidi fazer um passeio de barco mais enxuto. Optei por este tour das 3 ilhas e a experiência foi maravilhosa. A lancha era pequena e nova, com poucas pessoas, e incluía vinho e água. Fizemos uma parada na lindíssima ilha de Šolta, seguida de um mergulho na Blue Lagoon e, por fim, uma parada em Trogir, com tempo livre confortável em todas elas.
Você também pode checar outras opções de passeios aqui:
Bate e volta na ilha de Hvar

Vista da Fortaleza de Hvar, com a marina de Hvar Town e as ilhas Pakleni de pano de fundo
A mais famosa das ilhas acessíveis a partir de Split, Hvar é conhecida pela combinação de arquitetura veneziana, praias de pedra paradisíacas e vida noturna animada.
Hvar Town, a principal cidade da ilha, com sua marina repleta de iates de luxo e suas ruelas de pedra, é absurdamente bonita e tem um movimento gostoso no verão, nem demais, nem de menos.
Um ponto que vale saber, principalmente se você se deparar com conteúdos mais antigos sobre Hvar, é que a ilha não tem mais a mesma badalação de anos atrás. Hvar ficou conhecida principalmente pelo público jovem e pelas festas que embalavam os beach clubs madrugada adentro. Mas, diante das reclamações constantes dos moradores locais, o volume da música em espaços abertos hoje é bastante controlado, e a vida noturna de fama mundial em beach clubs como o Carpe Diem já não é a mesma.
Ainda assim, as festas seguem em clubes fechados, dizem, mas não é algo sobre o qual eu tenha experiência.
Bom para uns, ruim para outros, o fato é que a atmosfera de Hvar hoje é um pouco mais tranquila. À noite, o movimento se concentra principalmente nos restaurantes e barzinhos de Hvar Town. Durante o dia, os visitantes se espalham pelos beach clubs e pelas pequenas praias da ilha, muitas encravadas entre as rochas. Outras atividades comuns são a trilha até a Fortaleza de Hvar (a vista lá de cima é lindíssima!), e os passeios de barco para a Blue Cave e as ilhas Pakleni.
Dica:Deixo Hvar como sugestão de bate e volta a partir de Split porque realmente é possível fazer isso e muita gente escolhe esse formato. Para operacionalizar, você pode pegar um ferry no início da manhã e retornar no fim do dia. Há vários horários na alta temporada, e a viagem leva cerca de uma hora. Outra possibilidade é fazer o tour das 5 ilhas, que já mencionei antes. Mas, se possível, eu realmente acho que vale a pena passar mais tempo por lá e aproveitar a ilha sem pressa. |
Bate e volta na Zlatni Rat, em Brač

A famosa Zlatni Rat, em Brač | Foto: Getty Images
A ilha de Brač guarda um dos ícones mais fotografados de toda a Croácia: a praia de Zlatni Rat, na cidade de Bol. É uma língua de seixo e areia que aponta para o mar e muda de forma conforme as correntes.
Brač tem um ritmo mais tranquilo e familiar do que Hvar, ótimo para quem prioriza as praias e uma atmosfera um pouco mais local. A ilha também é famosa pela pedra branca de Brač, usada na construção do próprio Palácio de Diocleciano (e, dizem, até na Casa Branca, em Washington).
Assim como Hvar, dá para visitar Brač em um bate e volta a partir de Split. Mas os deslocamentos dentro da própria ilha levam tempo, então vale prestar atenção ao local de desembarque. Há linhas rápidas para as marinas de Milna e Supetar, que levam entre 20 e 25 minutos, mas ambas ficam longe da Zlatni Rat.
Se a famosa praia for sua prioridade, a dica é pegar um ferry direto para a marina de Bol. A travessia é mais demorada, cerca de 1 h, e há menos horários disponíveis, geralmente limitados à alta temporada. Ainda assim, você economiza bastante tempo ao chegar direto no ponto certo da ilha.
Bate-e-volta para os Lagos de Plitvice

Passarelas nos Lagos de Plitvice | Foto: Getty Images
Os Lagos de Plitvice são, sem dúvida, uma das atrações mais famosas de toda a Croácia. São 16 lagos em tons de verde-esmeralda e azul-turquesa, conectados por mais de 90 cachoeiras e por passarelas de madeira que permitem caminhar literalmente sobre a água.
Sem dúvidas, é um lugar que vale a pena incluir no roteiro. O único ponto de atenção é a distância: Plitvice fica a cerca de 244 km de Split, o que significa em torno de 3h30 de carro.
É uma viagem longa para fazer em um dia, mas não impossível. A forma mais prática é contratar um tour organizado saindo de Split, que inclui transporte, guia e ingresso.
Agora, caso a sua viagem pela Croácia também inclua a capital, saiba que o bate e volta é um pouco mais conveniente a partir de lá. Aliás, reunimos todas as dicas sobre o passeio no nosso guia de o que fazer em Zagreb. E, para quem fará o trajeto entre Zagreb e Split de carro, melhor ainda, pois dá para incluir os Lagos de Plitvice no caminho.
Bate-e-volta para o Parque Nacional de Krka

Cachoeiras no Parque Nacional de Krka | Foto: Getty Images
A cerca de 80 km de Split, o Parque Nacional de Krka é uma ótima opção para quem quer passar um dia em meio à natureza, mas sem encarar o deslocamento mais longo até os Lagos de Plitvice. De carro, a viagem leva entre 1h e 1h30.
O grande destaque do parque é Skradinski Buk, uma sequência de cachoeiras que desce por formações calcárias em meio à vegetação. Por ali, há passarelas e trilhas bem sinalizadas, além de antigos moinhos d’água e outros vestígios históricos ao longo do rio.
Dá para fazer o passeio por conta própria de ônibus, mas a forma mais prática para quem não está de carro é contratar um tour com saída de Split. Este passeio já inclui transporte, guia, uma parada na charmosa cidade de Skradin e um trajeto de barco de cerca de 30 minutos até a entrada do parque, além de uma parada para banho nas praias de Primošten.
SUGESTÃO DE ROTEIRO PARA 1, 2 OU 3 DIAS EM SPLIT
Cada viagem é única e, como você viu, Split permite muitas adaptações de acordo com o seu tempo, os seus interesses e os destinos que você visitará antes ou depois da cidade.
Abaixo, reuni uma sugestão de roteiro para 1, 2 ou 3 dias, considerando a ordem do que eu priorizaria e outras atividades que teria no meu itinerário completo pela Croácia.
Assim, você pode se inspirar e adaptar tudo de acordo com o que fizer mais sentido para você:
Dia 1 do roteiro em Split: Centro histórico, Riva e, talvez, uma praia
No primeiro dia em Split, ou no único, caso você passe apenas um dia por lá, eu me dedicaria a conhecer o coração da cidade. O segredo para aproveitá-lo melhor é iniciar o passeio pelo Palácio de Diocleciano, ainda pela manhã, antes do sol mais forte e da chegada dos grupos de cruzeiro.
Comece pelo Portão Dourado, no lado norte, e explore sem um roteiro muito rígido. Passe pelo Peristilo, visite a Catedral de São Dômnio e suba no Campanário, se quiser encarar os degraus, para a primeira vista panorâmica do dia. Depois, caminhe pelos becos laterais, passando pelo Templo de Júpiter, o Vestíbulo e as estruturas subterrâneas. Se for fazer um walking tour, esse é o melhor momento.
No meio do passeio pelo centro histórico, se quiser, faça um pequeno desvio para dar uma olhada no Mercado Verde.
Almoce em algum dos restaurantes do centro histórico e desça para a Riva, onde vale caminhar sem pressa à beira do Adriático.
Dependendo do seu ritmo e se ainda tiver energia, você pode seguir até a Praia Bačvice, a cerca de 15 minutos a pé da Riva, para um banho de mar ou um coquetel no fim da tarde. Outra possibilidade é pegar um Uber até uma praia mais distante do centro.
Dia 2 do roteiro em Split: Passeio de barco pelas ilhas ou dia de praia
Se você tiver dois dias inteiros em Split, estas são algumas das opções que eu consideraria para o segundo dia de roteiro:
Opção 1 — Passeio de barco pelas ilhas: embarque em um tour com saída da Riva. Os passeios das 3 ou 5 ilhas geralmente partem cedo pela manhã e retornam no meio ou no fim da tarde. Quem fizer o tour das 3 ilhas, como eu fiz, também pode desembarcar em Trogir e voltar de lá mais tarde de Uber/Bolt. Fale com o skipper antes para confirmar se ele consegue organizar o itinerário dessa forma.
Opção 2 — Ferry para Hvar ou Brač: caso essas ilhas não façam parte dos seus dias seguintes na Croácia, também vale considerar um bate e volta de ferry para uma delas – lembrando que Hvar costuma ser uma parada do tour das 5 ilhas. Em Hvar, explore a cidade histórica pela manhã e aproveite as praias à tarde. Em Brač, dedique-se à praia de Zlatni Rat.
Opção 3 — Dia de praia em Split: nem todo dia precisa ser cheio de planos. Se quiser apenas relaxar, vá para a Praia Kašjuni, leve um livro e deixe as horas passarem. Às vezes, a melhor coisa que se pode fazer em uma viagem é não fazer nada.
Dia 3 do roteiro em Split: Bate e volta para Krka ou Plitvice
Se você tiver três dias em Split, melhor ainda! No terceiro dia, a sugestão é embarcar em um passeio de bate e volta para explorar a natureza exuberante do interior da Croácia em uma das seguintes opções:
Opção 1 — Parque Nacional de Krka: mais próximo, a pouco mais de uma hora de carro, é a melhor escolha para quem quer ver paisagens bonitas sem passar tanto tempo dentro de um ônibus. Dá para voltar a Split no fim da tarde com tempo de sobra.
Opção 2 — Lagos de Plitvice: mais distante e cansativo, mas de uma beleza que ficará gravada na sua memória por muito tempo. Reserve o dia inteiro, com saída cedo e retorno tarde, e contrate um tour organizado para não se preocupar com a logística.
BAIXE O MAPA DAS ATRAÇÕES EM SPLIT
Gostou das dicas? Abra o mapa das atrações de Split no Google Maps para organizar melhor o seu roteiro e não perder nada na sua viagem!
Split é daqueles destinos completos, com história, paisagens naturais, um mar de cair o queixo e um clima gostoso que certamente vai deixar vontade de voltar. Seja em 1, 2 ou 3 dias na cidade, com um pouco de planejamento, você vai aproveitar ao máximo!




