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“Como subir o Monte Hotaka, a terceira maior montanha do Japão”


Com 3.190 metros de altitude, o Monte Hotaka é a terceira montanha mais alta do Japão, ficando atrás apenas do Monte Fuji e do Monte Kita. Localizado nos Alpes do Norte, o Hotaka é um destino muito procurado por montanhistas experientes — e também por iniciantes dispostos a encarar o desafio. Se você está se perguntando como subir o Monte Hotaka, este artigo vai te ajudar a planejar cada etapa dessa aventura.

Pra começar, é importante saber que o nome “Hotaka” pode causar certa confusão: a cadeia montanhosa inclui outros dois picos importantes, o Maehotaka-dake (3.090 m) e o Kitahotaka-dake (3.106 m). Mas, quando falamos da terceira montanha mais alta do Japão, estamos nos referindo ao Okuhotaka-dake, o ponto culminante dessa impressionante formação rochosa.

Neste artigo, você encontra um guia completo sobre como subir o Monte Hotaka, com informações sobre a melhor época para ir, as rotas mais recomendadas, onde dormir na montanha e dicas práticas de segurança para aproveitar a experiência com tranquilidade.

COMO CHEGAR A KAMIKOCHI, CIDADE BASE DO MONTE HOTAKA

Parque Nacional de Kamikochi com Hotaka ao fundo

Parque Nacional de Kamikochi com o Hotaka ao fundo | Foto: Getty Images

O Monte Hotaka está localizado na província de Nagano, na divisa dos municípios de MatsumotoTakayama, a aproximadamente 280 km de Tóquio e 320 km de Kyoto.

O ponto de partida mais indicado para quem quer subir o Monte Hotaka é Kamikochi, um dos destinos montanhosos mais populares do Japão.

Existem algumas boas formas de chegar até Kamikochi, mas vou destacar três principais: ônibus a partir de Tóquio, ônibus a partir de Matsumoto e carro.

Abaixo, explico cada uma delas em detalhes:

De ônibus a partir de Tóquio

Ônibus expressos partem de Shinjuku direto para Kamikochi (somente durante a alta temporada, entre julho e setembro). A viagem leva cerca de 5 horas, com passagens em torno de 12.000 ienes. As reservas podem ser feitas online através deste site.

Também há opções de ônibus não expressos, que operam durante todo o ano. A viagem é mais demorada, mas pode ser uma alternativa fora da alta temporada.

De ônibus a partir de Matsumoto

Se o seu roteiro já inclui uma parada na província de Nagano, mais precisamente em Matsumoto, essa pode ser uma excelente alternativa.

Conhecida por seu imponente castelo preto (apelidado de “castelo corvo”), Matsumoto é bastante visitada e serve como um ótimo ponto de partida para explorar os Alpes do Norte.

Para seguir até Kamikochi, basta pegar a linha National Park Liner no terminal de ônibus de Matsumoto. A rota, operada pela empresa Alpico, tem duração média de 2 horas e custa por volta de 4.000 ienes.

As passagens podem ser compradas apenas com antecedência – veja mais informações neste site.

De carro alugado

Uma possibilidade bastante prática para viajantes internacionais é alugar um carro, o que definitivamente garante mais liberdade para explorar a região.

Porém, uma grande ressalva é que a CNH brasileira não é aceita no Japão, mesmo acompanhada da Permissão Internacional para Dirigir, já que o Brasil é signatário apenas da Convenção de Viena de 1968, enquanto o Japão reconhece apenas habilitações emitidas segundo a Convenção de Genebra de 1949 (ou provenientes de países com os quais mantém acordos específicos).

Por isso, apesar de citarmos essa possibilidade aqui, essa opção só é válida para quem tem habilitação emitida em países signatários da Convenção de Genebra — a exemplo de Portugal — ou para quem possui carteira de motorista japonesa válida (o que é comum entre imigrantes que vivem no país).

Caso esse seja o seu caso, é importante saber que os carros particulares não têm acesso direto a Kamikochi. Nesse caso, você terá que estacionar no Akandana Parking e, de lá, pegar um ônibus autorizado que leva até o início da trilha dentro do parque nacional. A passagem custa 2.800 ienes por pessoa (ida e volta).


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QUANDO SUBIR O MONTE HOTAKA

Panorama do Monte Hotaka, no Japão

Foto: Alexa Soh via Unsplash

A melhor época para subir o Monte Hotaka, assim como outras grandes montanhas do Japão, é durante o verão, especialmente nos meses de julho e agosto. Esse período é considerado a temporada oficial de montanhismo no país.

O motivo é simples: apesar do calor nas cidades, onde os termômetros chegam facilmente aos 35 °C, nas montanhas as temperaturas são bem mais amenas, entre 10 °C e 15 °C. É uma faixa considerada segura e confortável para a prática do esporte, sem a necessidade de equipamentos muito técnicos.

Também é possível fazer a subida na primavera ou no outono. No entanto, nesses períodos, o frio nas partes mais altas é bem mais intenso, podendo chegar a 0 °C ou até menos. Isso exige roupas térmicas adequadas, bons casacos, saco de dormir eficiente, barraca preparada para o frio, entre outros itens essenciais.

Eu, por exemplo, gosto de subir montanhas nessas estações, tanto pela paisagem quanto pelo clima mais fresco. Mas vale dizer que pratico montanhismo com frequência e já investi no equipamento necessário para isso.

Se você ainda não tem muita experiência em trilhas de alta montanha como o Hotaka, recomendo ir no verão. É quando a subida tende a ser mais tranquila, segura e agradável para quem está começando.

QUANTO TEMPO LEVA PARA SUBIR O MONTE HOTAKA

Pessoas em trilha dos Alpes do Norte do Japão

Foto: Ashar M via Unsplash

O Monte Hotaka tem mais de 3.000 metros de altitude, o que já diz muito sobre o nível de esforço necessário para subi-lo. Prepare-se mental e fisicamente para uma trilha que leva, no mínimo, 8 horas.

E digo “no mínimo” porque esse tempo pode aumentar bastante dependendo do seu preparo físico, do número de paradas ao longo do caminho e da sua adaptação à altitude.

Para ser bem honesta, dificilmente alguém completa a subida em menos tempo que isso. E isso deve principalmente a dois fatores: a dificuldade do percurso e o ganho de altitude constante.

DESAFIOS DA TRILHA DO MONTE HOTAKA

Rochas e gelo no treeking do Monte Hotaka, Japão

Foto: Getty Images

Os Alpes Japoneses são essencialmente montanhas rochosas, e isso significa trilhas com muitas pedras soltas, trechos pouco demarcados e um terreno bastante irregular.

Pra você ter uma ideia, em vários momentos da trilha é preciso caminhar por verdadeiros mares de pedras soltas. São pedras relativamente grandes, mas o deslocamento sobre eles exige atenção total.

Há também passagens com escadas de ferro e correntes fixadas nas rochas. Isso porque, em certos pontos, não há um caminho propriamente dito no chão. O caminho é, de fato, escalar. E aí, paciência, calma e controle são indispensáveis para vencer esses trechos com segurança.

Outro ponto crucial é o ganho de altitude. Subir o Monte Hotaka significa alcançar mais de 3.000 metros acima do nível do mar. Parece óbvio, eu sei, mas muita gente esquece o impacto físico que isso pode ter.

A partir dos 2.400 ou 2.500 metros, o corpo já pode começar a sentir os efeitos da altitude: dor de cabeça, náusea, tontura, falta de ar. Nem todo mundo passa por isso, mas muita gente sente alguma coisa, inclusive eu.

Por isso, minha dica mais importante é: respeite seu ritmo. Vá devagar, faça pausas, dê tempo para o corpo se adaptar. Lembre-se de que subir uma montanha alta é, literalmente, ganhar muita altitude em pouco tempo, e isso tem consequências.

ONDE DORMIR DURANTE A TRILHA DO MONTE HOTAKA

Hospedagem na trilha do Monte Hotaka, Japão

Karasawa Hütte | Foto: Divulgação

Como a escalada do Monte Hotaka leva, no mínimo, 8 horas, é natural se perguntar: dá pra dormir na montanha? Sim! E você pode escolher entre duas opções de hospedagem ao longo da trilha: lodges ou campings.

Hospedagem em lodges

Os lodges são estruturas mais robustas, parecidas com chalés, preparadas para receber montanhistas em pontos estratégicos do percurso.

Eles oferecem tudo o que você precisa para passar uma noite na altitude: banheiro, cama com cobertores, alimentação e água.

Na rota para o Monte Hotaka, há dois principais lodges:

  • Karasawa Hütte: fica no Vale de Karasawa, a aproximadamente 2.300 metros de altitude. A partir de Kamikochi, são cerca de 5 a 6 horas de caminhada até lá;

  • Hotakadake Sanso: está ainda mais alto, por volta dos 3.000 metros, quase no topo da montanha, entre o Monte Okuhotaka e o Monte Kitahotaka. É o último ponto de apoio antes da subida final ao cume.

Embora em alguns casos seja possível chegar e tentar uma vaga, aconselho reservar com antecedência. Afinal, depois de tantas horas de trilha, ninguém quer correr o risco de não ter onde dormir.

As reservas são feitas por telefone e a pernoite custa em média 10.000 ienes, com valores maiores ao incluir refeições.

Hospedagem em acampamento

A outra opção é montar acampamento em áreas específicas, ao lado dos próprios lodges citados acima. O custo do espaço gira em torno de 2.000 ienes por pessoa e você precisa levar todo o equipamento (barraca, saco de dormir, isolante térmico…).

Mesmo dormindo em barraca, você pode se alimentar nos restaurantes dos lodges. Ou, se preferir, cozinhar sua própria comida.

Finalmente, os campings funcionam por ordem de chegada, sem sistema de reserva. Portanto, quanto mais cedo você chegar, maiores as chances de escolher um bom lugar.

ROTAS DE ASCENSÃO PARA SUBIR O MONTE HOTAKA

Montanhistas na trilha do Monte Hotaka, Japão

Foto: GoNagano

Quando se fala em como subir o Monte Hotaka, é importante entender que o percurso não é único.

Assim como em muitas expedições de montanha, escolher a rota faz parte da experiência. Além disso, é uma decisão que varia bastante conforme seu nível de preparo, tempo disponível e objetivos com a trilha.

Em resumo, para subir o Monte Okuhotaka (o pico principal da cadeia), há dois pontos principais que você precisa considerar antes de definir o trajeto:

Seu objetivo: cume único ou travessia?

O primeiro passo é decidir se seu foco será atingir apenas o cume do Okuhotaka ou se pretende incluir outros picos na jornada (como o Monte Kitahotaka, por exemplo).

Se você está começando no mundo do montanhismo de altitude, sugiro focar apenas no Okuhotaka.

A rota: via Dakesawa Hut ou via Yokoo Sanso?

Partindo de Kamikochi, há duas trilhas principais para subir o Monte Hotaka: a via Dakesawa Hut e a via Yokoo Sanso.

Cada uma tem suas particularidades, mas ambas levam ao Vale de Karasawa, caminho para os lodges e campings que mencionei acima.

  • Via Dakesawa Hut: é uma trilha mais curta, porém mais íngreme. Isso significa que requer mais esforço físico em menos tempo, com subidas bem acentuadas. Aconselho para quem já tem certa experiência e quer ganhar altitude mais rápido;

  • Via Yokoo Sanso: trilha mais longa e menos íngreme, com trechos mais acessíveis e bem marcados. Ideal para quem está começando nas trilhas de alta montanha ou quer ir com mais calma.

Ambas as rotas têm como referência duas hospedagens – Dakesawa Hut e Yokoo Sanso -, mas normalmente não são usadas como ponto de pernoite por quem pretende chegar ao topo do Okuhotaka. Ainda assim, elas servem como excelente referência para descrever os caminhos.

Se esta for sua primeira experiência subindo uma montanha com mais de 3.000 metros, recomendo seguir pela rota que passa por Yokoo Sanso. Afinal, essa é a forma mais gradual e segura de alcançar o cume da terceira montanha mais alta do Japão.

ITINERÁRIO PARA O TREKKING DO MONTE HOTAKA

Vamos finalmente à parte prática da experiência: como planejar a duração da expedição, escolher o melhor horário para começar a trilha e organizar o pernoite.

Considerando que você vai seguir minha sugestão de subir o Monte Hotaka pela rota que sai de Kamikochi e passa por Yokoo Sanso, aqui vão duas opções de itinerário de dois dias. Em ambas, a trilha começa cedo, por volta das 6h ou 6h30 da manhã, o que é essencial para caminhar com calma e aproveitar o trajeto.

Aqui, estou partindo do princípio de que você vai pernoitar na montanha. Isso porque, além do bate-volta ser bem cansativo, dormir nas montanhas é uma experiência linda e única. Vale muito a pena!

Dormindo no Karasawa Hütte

O Karasawa Hütte fica a 2.350 metros de altitude. Essa é uma excelente opção para quem quer dividir o trajeto com mais tranquilidade.

Você sobe até lá no primeiro dia, deixa sua mochila maior no lodge (ou acampamento, caso opte por barraca) e segue para o cume com a chamada mochila bate-cume, que é uma mochila menor com apenas o essencial, como água, comida e algum casaco.

Depois de chegar ao cume, você retorna para descansar no Karasawa Hütte. No segundo dia, faz com calma a descida de volta até Kamikochi.

Dormindo no Hotakadake Sanso

O Hotakadake Sanso é o abrigo mais próximo do topo, a 2.983 metros. Para chegar até ele, você vai encarar um dia inteiro de subida carregando toda a sua mochila e equipamentos.

A lógica aqui é sair bem cedo de Kamikochi, fazer todo o trajeto até o lodge, descansar e, no dia seguinte, atacar o cume com uma mochila leve.

Depois, retornar à hospedagem, recolher seus pertences e iniciar a longa descida até Kamikochi.

EQUIPAMENTOS ESSENCIAIS PARA SUBIR O MONTE HOTAKA

Para quem está começando no mundo do montanhismo, aqui vai uma lista com os itens que considero indispensáveis para subir o Monte Hotaka. Existem, claro, muitos outros acessórios que podem ser úteis, mas esses são o básico.

  • Bota de trilha: sem esse item, nem comece. A bota é o seu principal aliado na trilha. Escolha uma de cano alto, que proteja bem o tornozelo, e experimente na loja física para garantir conforto e bom ajuste ao pé;

  • Água e lanches rápidos: leve bastante água e comidinhas leves, mas nutritivas. Por exemplo, eu sempre tenho comigo barras de cereal, frutas secas, pão, banana, oniguiri e salgadinhos práticos;

  • Roupas adequadas para o frio: mesmo que o dia comece quente, lá no alto vai esfriar bastante. Por isso, leve uma segunda camada de roupa quentinha (como fleece e calça comprida) e um bom corta-vento;

  • Mochila de hiking: escolha uma mochila específica para trilha, com suporte de carga e ajuste para os quadris. Como você vai carregá-la por dois dias, o conforto fará toda a diferença;

  • Barraca e saco de dormir: se optar por acampar, você precisará levar uma barraca com duas camadas (estrutura + cobertura, para proteger da chuva e da umidade noturna), bem como um saco de dormir para baixas temperaturas (ideal para até -10 °C).

AFINAL, VALE A PENA SUBIR O MONTE HOTAKA?

Como ficou claro, subir o Monte Hotaka exige, sim, preparo – físico, mental e logístico —, mas a recompensa é maravilhosa.

Subir os Alpes do Norte é, sem dúvida, encarar um dos desafios mais bonitos do Japão. A experiência de chegar ao ponto mais alto da terceira montanha mais alta do país é simplesmente inesquecível.

Ao longo deste artigo, espero ter conseguido esclarecer suas dúvidas, ajudar no planejamento e, principalmente, te inspirar a viver essa aventura de peito aberto. Foi um prazer, como amante das montanhas, compartilhar esse conhecimento com você!

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